São Paulo, 26 (AE) - A Marcha dos 100 Mil, que protestou hoje contra a política do atual governo em Brasília e foi apontada no início da semana como um fator de tensão no cenário brasileiro, transcorreu com tranquilidade e não produziu fatos que justificassem nervosismo nos negócios.
A preocupação do mercado era em relação a possíveis situações de confronto entre manifestantes e a polícia. Por isso
operadores passaram o dia observando os acontecimentos na capital do País. Mas nada ocorreu.
Assim, como o apetite por dólares no mercado financeiro também diminuiu, operadores disseram que houve espaço para algum movimento de venda de dólares, o que manteve a cotação em ligeira baixa durante boa parte do dia, apesar de fechar em alta.
O mercado acionário doméstico, por sua vez, acompanhou a desvalorização da Bolsa de Nova York, que registrou queda acentuada.
Instabilidade - O mercado de câmbio registrou pouquíssimos negócios. Fato que contribuiu para o vaivém da taxa
que oscilou entre R$ 1,905 e R$ 1,915. A mínima do dia ficou em R$ 1,895 e a máxima em R$ 1,922, cotação de fechamento, que corresponde a uma alta de 0,84%. Ainda assim, operadores asseguraram que a oscilação foi bem menor em relação à véspera.
Para o economista Roberto Padovani, da Tendências Consultoria Integrada, o leilão de títulos cambiais do governo apenas atenua a pressão sobre a moeda, decorrente de uma piora das expectativas nas últimas semanas.
De fato, "esse é o motivo de tanta instabilidade no mercado já que o fluxo de capitais é mais forte este mês, resultado de entradas tanto de investimentos diretos como de amortizações", observou.
A cautela continua e uma melhora poderá ser sentida somente após a divulgação do Orçamento da União para o próximo ano. "Ressabiado, o mercado prefere ficar na defensiva", afirmou um operador. Algumas notícias são apenas paliativos, como a vitória do governo no caso dos ruralistas (a CCJ da Câmara considerou inconstitucional o projeto que prevê a renegociação da dívida); a divulgação do superávit das contas do Tesouro, que saiu dentro do esperado; e o superávit primário no primeiro semestre, de 2,87% do PIB, divulgado ontem de manhã, e que ficou acima do acertado com o FMI.
Indefinição - Nada disso, dizem os profissionais, é suficiente para garantir uma virada do cenário. Daí, a existência de operações de arbitragem entre mercado à vista de dólar e o de futuro, e alguma procura por hedge. A expectativa dos analistas é que, afastados os entraves do curto prazo (incluindo aí a Marcha dos 100 Mil, que teve seu impacto bastante reduzido não só pelo esforço do governo em esvaziar seu significado, mas também pelas divergências entre os próprios dirigentes do movimento), já seja possível dedicar-se a questões relativas ao cumprimento das metas fiscais para o próximo ano. Vale destacar que as incertezas que vêm de fora (Argentina e Equador) devem ter peso no cenário doméstico por algum tempo.
A queda do Índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, foi liderada por ações do setor petrolífero, depois que analistas disseram que o declínio no preço do petróleo bruto vai prejudicar os papéis das empresas. Diante disso, o Ibovespa fechou em queda de 1,45%.

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