Mercado ignora ameaça de MG de não pagar 2.ª parcela de eurobônus
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Márcia Pinheiro 
São Paulo, 26 (AE) - O mercado financeiro ignorou a ameaça de Minas Gerais de não honrar a segunda parcela de eurobônus, no valor de US$ 108 milhões, emitidos pelo Estado em 1994. O compromisso vence no dia 10. O C-bond, título mais negociado da dívida externa brasileira, fechou hoje em ligeira baixa de 0,35%, cotado a 71,750 centavos de dólar. Mas a queda não foi creditada a um eventual "efeito Itamar". Os bradies vêm reagindo de forma cautelosa a uma eventual alta dos juros norte-americanos, que poderá ser decidida no início de fevereiro pelo Federal Reserve, o Banco Central norte-americano.
Segundo fontes ouvidas pela Agência Dow Jones, os investidores internacionais tranquilizaram-se com a postura do governo federal. Ontem (25), o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, antecipou-se à possibilidade de calote e afirmou que a União realizará o desembolso se o governo Itamar não o fizer.
O cenário hoje também é diferente do de há um ano, quando Itamar declarou a moratória, em 6 de janeiro. À época, o Brasil estava sofrendo um ataque especulativo contra o real, o que levou o governo a abandonar o sistema de bandas cambiais. Hoje, o Brasil conta com o apoio da comunidade financeira internacional, tem um regime de câmbio flutuante, dispõe de reservas suficientes para desestimular apostas contra a moeda e tem recebido um bom volume de investimentos diretos por parte de estrangeiros.
Na avaliação do ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, sócio da consultoria Tendências, a absoluta tranquilidade mostra que o mercado tem a precisa noção do que representa Itamar. Isto é, "um leão sem dentes". "Não ameaça ninguém."


