São Paulo, 06 (AE) - O mercado financeiro retomou o vigor que marcou os negócios realizados em abril, que havia diminuído de intensidade na última semana do mês passado. Os últimos depoimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro foram importantes porque esclareceram a operação de socorro do Banco Central (BC) aos Bancos Marka e FonteCindam, mas não trouxeram fatos novos que mudassem o rumo das investigações, especialmente o depoimento do deputado Aloízio Mercadante (PT/SP), na quarta-feira à noite, um dos mais aguardados pelo mercado.
A expectativa desfeita quanto a revelações bombásticas do deputado petista produziu efeitos positivos no mercado acionário paulista. A Bovespa fechou em alta de 2,68%. O volume de negócios alcançou a soma de R$ 1 bilhão (cerca de US$ 600 milhões). Boa parte dessa quantia resultou de operações de compra de investidores estrangeiros.
O dólar fechou com desvalorização de 0,36% em relação ao real e o mercado futuro operou em baixa durante todo o dia, tanto nos contratos de juros como nos de dólar.
O movimento da Bovespa foi um destaque do dia, mas o aumento no volume de negócios não pode ser creditado somente a uma certa acomodação do andamento da CPI dos bancos. Em abril, o volume médio diário da Bolsa já dava sinais do retorno dos investidores estrangeiros, com o total de US$ 395 milhões, ante os volumes de março (US$ 256 milhões) e de fevereiro (US$ 201 milhões).
Retomada - Nos primeiros dias de maio, o volume recuou ligeiramente para uma média diária de US$ 364 milhões. "O mercado ficou na retranca diante dos depoimentos previstos para esta semana", disse o executivo de um banco.
De acordo com ele, o receio maior do mercado concentrava-se na figura do deputado e economista Aloízio Mercadante, quer seja porque o seu preparo e conhecimento sobre o mercado estão bem acima da média, quer seja pelo acesso a informações que teria por pertencer a um partido com uma ampla base sindical, incluindo o Sindicato dos Bancários. Além disso, o próprio deputado deu indícios de que teria "bombas" para apresentar à comissão.
Na prática, Mercadante ordenou os fatos e fez uma exposição clara e objetiva, disse a fonte. Mas a dimensão dos ganhos dos bancos de certa forma já havia sido antecipada quando a CPI deixou vazar a lista do movimento das operações na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), na semana passada.
Movimento - Passado o curto período de incertezas, os investidores voltaram a intensificar os negócios no mercado acionário. Os estrangeiros, especialmente, que tradicionalmente preferem papéis de setores que, na avaliação deles, também devem ter um bom desempenho em nível mundial.
O administrador de fundos de um banco nacional explicou que atualmente existe um otimismo quanto ao desempenho de empresas do setor de siderurgia, metais não ferrosos, mineração, papel e celulose e petroquímica, etc. São setores cíclicos, que acompanham a tendência da economia. As ações de siderurgia estão em alta desde abril, no exterior e no Brasil, que tem empresas bastante fortes dentro desse setor.
Estrangeiros - O investidor estrangeiro também está procurando ações de extrema liquidez; por isso, os papéis de primeiríssima linha como os recibos da Telebrás, Petrobrás, Eletrobrás, Telesp, os mais negociados do mercado paulista, estão entre os mais procurados.
O investidor, portanto, está comprando um papel do Brasil e de uma empresa brasileira que esteja inserida no contexto de economia global.
A preferência pela liquidez também tem outra justificativa: os estrangeiros que estão ingressando na Bovespa são global players (operadores globais), ou seja, são investidores globais que ora estão aqui ora estão em Hong Kong ou em outro país emergente. Não são investidores que procuram assumir posições no médio prazo. Se fosse esse o caso, procurariam as ações de segunda linha, mas não há corrida por esses papéis.
A maior alta da Bovespa hoje ficou por conta da Eletrobrás, que deve ser transformada num banco de fomento pelo governo. O movimento corresponde a um frenesi momentâneo do mercado, de acordo com analista do setor.
A lógica indica que, ao transformar-se numa agência de desenvolvimento para o setor elétrico, uma espécie de BNDES, as taxas de retorno serão menores do que as de um banco tradicional. Por princípio, a Eletrobrás não deve obter mais lucros que um Itaú ou Bradesco; portanto, as chances de valorização no longo prazo são relativas.
O Banco Central anunciou hoje a redução de 30% para 25% do recolhimento compulsório sobre os depósitos a prazo dos bancos. A medida vai aumentar a disponibilidade de recursos no sistema financeiro em R$ 4,5 bilhões.

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