São Paulo, 22 (AE) - Existem outros focos de inquietação que operadores detectam facilmente neste momento. Um deles é a demora para que seja apresentada a quarta revisão do acordo firmado entre o governo brasileiro e o FMI, levando em conta o fato de que, desde o final de setembro, técnicos do governo justificaram sua ida a Washington com este objetivo. Neste mês, uma missão do FMI desembarcou no Brasil pelo mesmo motivo e, ainda, definir metas fiscais para o primeiro e o segundo trimestres de 2000 - sem alterar a meta global que é de superávit primário consolidado de R$ 35 bilhões ou 3,25% do PIB. O calendário original previa que a missão do FMI deixaria o País no final da semana passada, mas até ontem o governo FHC não apresentou um balanço oficial sobre a quarta revisão do acordo já firmado e tampouco as metas fiscais para os dois primeiros trimestres do ano que vem.
Paralelamente, a pressão observada no câmbio é um fato incômodo e que persiste. Nesta quinta-feira diminuiu o diz-que-disse em torno de supostas compras de dólar pelo Banco do Brasil e/ou Tesouro para honrar compromissos externos da União. A moeda não ultrapassou R$ 2,00, mas fechou a R$ 1,9940. Apesar da melhora irrisória da taxa de câmbio, o mercado continua preocupado e, ainda mais, quando considera a possibilidade de a moeda americana ter sido pressionada por compras oficiais. Motivo: o governo brasileiro não está livre (ainda) de descumprir uma das metas firmadas com o FMI - de manter as reservas cambiais líquidas acima de determinados níveis mês a mês.
Analistas ponderam que se as compras (oficiais) de divisas teriam ocorrido para que as reservas internacionais líquidas não caíssem abaixo de US$ 22 bilhões estipulados - no acordo firmado entre o governo brasileiro e o FMI - como piso para o mês de outubro, a batalha pode ter sido inglória. Segundo dados do BC, as reservas brutas pelo conceito de liquidez internacional desceram a US$ 39,996 bilhões nesta quarta-feira. Este nível é o mais baixo registrado desde 8 de abril, quando o Brasil já havia recebido US$ 9,3 bilhões do pacote de ajuda internacional coordenado pelo FMI e BIS. Descontada a generosa parcela de US$ 17,8 bilhões do pacote de ajuda internacional, as reservas líquidas estariam em US$ 22,196 bilhões há dois dias. Portanto, mesmo que o BB e/ou o Tesouro tivessem pressionado o mercado em busca de dólares para pagar contas lá fora, o fato é que as reservas cambiais ainda são frágeis o suficiente para colocar em risco uma das metas definidas no acordo firmado com o Fundo Monetário. A perspectiva é de que este risco seja contornado, considerando ingressos previstos de divisas no País, como parcela do crédito do BID de US$ 2,2 bilhões aprovado pela CAE do Senado na quarta-feira; cerca de US$ 500 milhões decorrentes da troca de "bradies" por bônus globais; e, ainda, a possibilidade de o leilão de privatização da Cesp-Tietê - previsto para a quarta-feira que vem - contar com pesada participação de investidores estrangeiros, lembra o editor Josué Leonel.

mockup