São Paulo, 20 (AE) - O mercado financeiro doméstico recebeu com otimismo o anúncio da elevação dos juros básicos da economia americana em 0,25 ponto percentual. Não houve, portanto
surpresas nem com o aumento divulgado, nem com a nota do Fed, considerada precavida. O mesmo consenso, no entanto, não acontece quando o assunto é o Copom de amanhã. Os economistas chefes de algumas das principais instituições financeiras no País discordam sobre se haverá ou não queda da taxa Selic, e seu respectivo viés.
Moderado - Para Odair Abate, do Lloyds Bank, "o BC deve manter os atuais 19% de juros, com viés de baixa, considerando as principais variáveis dos mercados doméstico e internacional". O preço do petróleo deve ceder nos próximos dias e, na opinião de Abate, os juros dos Fed funds sofrerão novas altas, chegando a 6,5% até o final deste semestre, e 6,75% até o final do ano".
Arrojados - Já Otávio de Barros, do Banco Bilbao Vizcaia
e Dany Rappaport, do Santander Asset Managment, são mais audaciosos em suas apostas e prevêm quedas, para amanhã, que podem variar de 0,25 ponto, no caso de Barros, a até 0,50 ponto, para Rappaport, nos juros básicos da economia. Para Barros, a queda da Selic "seria um reparo necessário da valorização do real nos últimos dias e o cenário doméstico bastante positivo.
As contas apresentadas pelo governo até agora surpreenderam positivamente e também permitirão um comportamento arrojado do Copom". Já Rappaport acha que "estamos atrasados na redução da taxa de juros aqui dentro. Deveríamos estar 200 pontos abaixo", avalia ele.
Conservadores - Na outra ponta, ficam os mais conservadores que não acreditam nem em redução da Selic, nem vêem margem para baixa em seu viés. Fábio Fukuda, da Consultoria Tendências, e Carlos Kawal, do Citibank, avaliam que os principais fatores de risco existentes hoje, tanto no Brasil quanto no cenário internacional, devem conter qualquer decisão do BC em baixar os juros amanhã. "Não sabemos de quanto será o aumento do salário mínimo, ou o resultado da reunião da OPEP. Temos também o risco das elevações das tarifas públicas e dos juros americanos, que já sinalizaram viés de alta lá. É muito cedo, portanto, para ceder e baixar os juros aqui", avaliam.

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