São Paulo, 13 (AE) - Economistas esperam que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a taxa básica de juros dos atuais 39,5% para, no mínimo, 35%, em sua reunião de amanhã. Existem analistas, contudo, que projetam uma queda mais forte, com a nova taxa ficando entre 31% e 32%. A trajetória de queda dos juros foi muito mais acentuada que o esperado pelos economistas em 4 de março, última reunião do Copom, quando foi fixada em 45% e o Banco Central indicou que a tendência (o viés) era de baixa. A grande razão da queda mais forte foi o comportamento da inflação, explicam os economistas.
Além da inflação, o processo de apreciação do real - cujo custo passou de R$ 2,08 por US$ 1,00 no dia da última reunião do Copom para R$ 1,66 hoje - também abre espaço para a queda da taxa de juros. Isso porque já não é mais tão necessário mantê-la muito elevada para atrair capitais externos. "Esse processo de revalorização da moeda justifica a definição de juros entre 31% e 32% na reunião do Copom", observa o economista Antônio da Costa, sócio da Oryx Asset Management. De certa forma, explica, é como se o ganho com a inflação menor e a apreciação da moeda fosse repassado para os juros. "A trajetória do câmbio indica que o BC pode ser agressivo na redução dos juros", diz Marcelo Steuer, diretor da Reliance, empresa do grupo do banco Rendimento.
Outras previsões são mais conservadoras. O economista-chefe do Lloyds Bank, Odair Abate, espera que a taxa básica seja reduzida para 35%. A mesma previsão é feita pelo economista-chefe do Banco Bilbao Viscaya, Octávio de Barros. "Mas se o Copom reduzir a taxa para 33% não será uma surpresa"
observa Barros.
"O grande risco, na época da última reunião do Copom, era a volta da inflação e indexação dos preços", pondera Abate. Como a inflação mostrou reversão da tendência de alta um mês antes do esperado, analisa, o BC passou a trabalhar com juros mais baixos e essa tendência será mantida na reunião de amanhã.
Apreciação - Barros observa que o processo de recuperação de valor do real é compreensível porque a demanda por dólares, em abril, é 30% inferior ao mês de março. E maio, diz, será menor ainda. Na sua opinião, é importante manter uma desvalorização real do câmbio próxima a 25% para manter o estímulo às exportações. Considerando que o ano termine com uma taxa de câmbio de R$ 1,75 e inflação de 16% no Índice Geral de Preços (IGP), o real teria uma desvalorização efetiva de 25%.
O câmbio, pondera, deve ficar oscilando entre R$ 1,65 e R$ 1,75 até o fim do ano. Uma das alternativas à disposição do BC para evitar que a taxa se acomode em níveis inferiores a este é operar com juros menores, explica Barros.
O economista-chefe do Chase Manhattan, Luiz Fernando Lopes, acredita em novo corte dos juros, para 36%, com manutenção do viés de baixa. Entre o fim de abril e o começo de maio, Lopes espera que ocorra mais uma redução. "Em 19 de maio, próxima reunião do Copom, os juros devem estar em torno de 30%"
afirmou. Para o economista-chefe do Banco Santander, Dany Rappaport, os juros devem ser fixados entre 34% e 35%. "A redução amanhã não é o fato mais importante para observar agora, entretanto", pondera. "Acredito que nas semanas seguintes os cortes de juros vão continuar", acrescentou. Ele espera que os juros cheguem a 25% no final do junho e a 18% no fim do 3º trimestre.

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