Rio, 30 (AE) - O mercado financeiro considerou positiva as últimas medidas do Banco Central para estimular a captação externa, mas não acredita em um aumento significativo do fluxo de recursos para o Brasil no curto prazo. O vice-presidente do Bradesco, Antônio Bornia, explica que o principal objetivo é adequar as regras ao novo regime de política cambial. "São medidas que fazem parte de um trabalho do governo de liberalização", afirma.
Bornia pondera que as alterações promovidas esta semana pelo Banco Central vão de encontro a iniciativas como a redução dos compulsórios sobre as instituições financeiras. Segundo ele, o maior fluxo de recursos para o País vai depender da recuperação da economia brasileira. "A conquista por maior credibilidade é importante, o Brasil está conseguindo isso ao cumprir o acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional", avalia.
Já o economista do Lloyds TST Adaulto Lima, acha que "o câmbio flutuante exige maior flexibilidade na movimentação de capitais". Lima lembra que a política de câmbio fixo exigia uma série de regras, que não são mais necessárias na atual economia brasileira. O fim da proibição das captações externas com prazo inferior a 90 dias causou bom impacto entre os agentes financeiros. O IOF de 5% que será cobrado nas operações ainda desestimula as emissões nesse período, mas abre espaço para que o governo possa eventualmente baixar a tributação se houver uma forte saída de dinheiro do País.
Lima observa também que o fim da obrigatoriedade das instituições financeiras informarem o destino de suas captações externas vai aumentar o interesse por essas operações. Entretanto, o impacto deve ser pequeno no curto prazo, com os investidores ainda receosos com o comportamento da taxa de câmbio no período. "O risco da moeda no curto prazo é maior e um hedge por apenas 90 dias muitas vezes não compensa", avalia.

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