São Paulo, 28 (AE) - A expansão das igrejas evangélicas no Brasil está tendo reflexos no mercado editorial. Uma demonstração disso pode ser vista no Salão Internacional do Livro de São Paulo. Um de seus maiores e mais vistosos estandes é o da Associação Brasileira de Editores Cristãos (Abec), que reúne 24 editoras cujo alvo principal são os evangélicos. De acordo com o vice-presidente comercial da Abec, pastor Waldir Agnello, o faturamento das 24 editoras cresceu 28% no ano passado, atingindo o valor de R$ 96 milhões. Neste ano as vendas deverão continuar crescendo, segundo o pastor, embora num ritmo menor, de 10%.
Apesar de não mostrar com precisão o tamanho do mercado evangélico, bastante pulverizado, os números da entidade dão uma idéia de sua expansão. Em boa parte, as casas editoriais crescem ligadas às atividades de alguma igreja. Do conjunto das 24 empresas da Abec, dez pertencem a denominações religiosas, entre as quais a Assembléia de Deus, a maior do País em número de fiéis. As outras 14 não pertencem a igrejas específicas e procuram atingir os fiéis de todas elas.
Além de crescer, o setor de livros para evangélicos procura tornar-se mais profissional, segundo Agnello. A Abec, que existe há dez anos e edita uma revista especializada para editores e livreiros, criou uma série de prêmios para estimular avanços na área técnica e editorial. Anualmente, distingue a melhor edição da Bíblia, a melhor biografia, o melhor livro de meditação, de ficção, etc. Variedade - A variedade de títulos lançados pelos evangélicos é grande. Os catálogos abrigam desde livros de auto-ajuda para empresários a debates teológicos. Mas o carro-chefe das vendas ainda é, invariavelmente, a Bíblia. Com o crescimento dos evangélicos, estimulados a ler a Bíblia desde pequenos, e dos católicos carismáticos, que cultivam o mesmo hábito, o Brasil tornou-se o mercado que registra o maior crescimento de vendas desse produto, segundo Agnello. Só no ano passado teriam sido vendidos 7 milhões de exemplares. Desse total, cerca de 3 milhões saíram da Abec.
O crescimento das vendas da Bíblia estimula outros segmentos, como o de livros de interpretação. Um exemplo é "o Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia", escrito por dois biblistas norte-americanos e lançado agora no Brasil pela Editora Mundo Cristão, da Abec.

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