Mercado dos EUA tem um dos piores dias da história
Nova York, 04 (AE) - Os mercados acionários dos Estados Unidos registraram hoje (04) a maior volatilidade da história. O Índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, chegou a cair 504 pontos, ou 4 5%, e o principal índice do mercado eletrônico, o Nasdaq Composite, chegou a despencar 575 pontos, ou 13,5%, de longe a sua maior queda em porcentagem.
No fim do pregão, os investidores retornaram às compras e os índices recuperaram grande parte das perdas. O Índice Dow Jones fechou em queda de 0,51%. O Nasdaq, que em certos períodos do dia caía 100 pontos por hora, conseguiu reduzir suas perdas a 75 pontos, para fechar ainda acima do nível psicológico dos 4.000 pontos, em queda de 1,77%.
Houve pânico durante o dia, com analistas anunciando que começara o tão anunciado estouro da "bolha" acionária americana. O mercado financeiro mundial parou para ver a queda livre do Índice Nasdaq. As ações da Microsoft, que recuaram 14 47% na segunda-feira, saíram ontem do foco dos comentários, mas mantiveram o sinal negativo: caíram 2,54%.
"O fracasso da tentativa de acordo para o processo antitruste da Microsoft no fim de semana foi apenas o primeiro dominó que derrubaria a série", disse um analista americano.
Um representante da Casa Branca, Gene Sperling, chefe do Conselho Nacional Econômico do presidente Bill Clinton, teve de vir a público para afirmar que os fundamentos da economia americana continuam "muito sólidos", mas não quis comentar o pânico nos mercados em nome do governo.
No fim do dia, os analistas dividiam-se entre os que consideraram a turbulência uma correção necessária - até mesmo bem-vinda, pois poderia evitar parte das elevações dos juros básicos previstas pelo mercado para este ano - e os que alardeavam que a queda ainda não era o fundo do poço.
Um comentarista de um site de "insiders" do mercado financeiro explicou que os problemas do Nasdaq, vistos de maneira geral como consequências da sobrevalorização das ações de tecnologia como um todo, foram agravados por um aumento preocupante na exposição dos grandes investidores às ações de tecnologia, às vésperas dos resultados do primeiro trimestre.
As chamadas margens (onde o investidor tem direito de emprestar de uma corretora metade do valor que comprará em ações) dos corretores da Bolsa de Nova York chegaram em fevereiro ao nível recorde de US$ 265,2 bilhões, segundo o site especializado.
"Isso não era um problema quando estávamos ladeira acima; mas no caminho de volta é", disse o analista. Quando as ações "alavancadas" caem muito, as corretoras começam a se preocupar em proteger o dinheiro que emprestaram aos investidores. Fazem uma "chamada de margem", que solicita um aporte adicional imediato.
Se o investidor não pode aumentar sua aposta, as ações em questão são vendidas. Segundo o analista, há fortes sinais de que isso está acontecendo bastante ultimamente, mas não há como determinar o volume extao das operações.
Em meio ao pânico, os investidores correram para os "portos seguros" do mercado, como o ouro e os títulos do Tesouro americano. Em consequência, os preços dos títulos subiram e os juros caíram. "Os Treasuries são o porto seguro do mercado acionário; em momentos de maré brava é para lá que corremos", considerou o analista de um banco estrangeiro.
O ouro também chegou a subir 3% no mercado internacional por representar um "investimento sólido, palpável e brilhante", brincou um operador.
O efeito da crise americana esteve presente em todos os mercados do mundo. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo caiu 2,83%, assim como México, 2,49%, e Argentina, 1,43%.





