MERCADO DO SEXO - Poder e riqueza das antigas cafetinas
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de setembro de 2011
Luciano Augusto <br>Reportagem Local 
A partir da década de 1940, cerca de 10 anos após a fundação do município, os prostíbulos londrinenses começaram a ganhar fama em todo o território nacional. As donas dos principais lupanares - como as famosas Laura e Selma - recebiam ricaços, autoridades, políticos, artistas e profissionais do sexo de todo o País. Isso tudo conferia poder e riqueza às cafetinas.
Essa faceta da história de Londrina foi investigada pelo historiador e técnico do Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Edson Holtz, que defendeu em 2001 a dissertação de mestrado ''Faces Ilícitas de uma Cidade - Representações Sociais da Prostituição em Londrina (1940-1966)'' e, em 2005, publicou o livro ''Noites Ilícitas''.
Holtz aponta que entre 1940 e 1950 havia na cidade os bairros de prostituição, que concentravam as casas que hospedavam as prostitutas da época. ''Essas áreas surgiam por conta da mentalidade machista da época e as casas serviam à iniciação (sexual) dos homens'', ressalta. Por isso, os chamados lupanares eram tolerados, mesmo sendo ilegais, porque a lei definia, e ainda define, o lenocínio (exploração da prostituição alheia) como crime. ''Era importante fazer vistas grossas, porque a cafetinagem tirava as prostitutas da rua. Quando eram presas por vadiagem, elas só passavam a noite e depois eram liberadas.''
Nesta época, Londrina chegou a contar com uma área exclusiva de prostíbulos: a Vila Matos (onde hoje fica o Terminal Rodoviário). As casas, normalmente, tinham um grande salão onde ficavam as garotas e os clientes e muitos quartos. Cantores de grandes centros, famosos em todo o Brasil, eram contratados para fazer shows exclusivos. As garotas se viam obrigadas a ficar abrigadas nas casas, onde também tinham certa segurança. ''As cafetinas recebiam um percentual pelo quarto mas o ganho maior que tinham era com o consumo de bebida'', afirma o pesquisador.
Com a crise cafeeira, as principais casas perderam clientela e as que restaram começaram a ser incomodadas pela Polícia, pois com o crescimento da cidade os prostíbulos acabaram ficando em áreas residenciais. ''Os antigos prostíbulos foram reocupados e viraram cortiços que, mais tarde, acabaram demolidos.''
Holtz complementa que, desde o final dos anos 1960, a prostituição começou a ganhar mais espaço nas ruas, em regiões específicas. Ao mesmo tempo, os travestis passaram a disputar os clientes com as garotas. Nos anos 1980, os garotos de programas também passaram a ter visibilidade.
Hoje, a chamada prostituição de calçada continua bastante presente em diversas regiões da cidade. À luz do dia, garotas se oferecem na avenida Leste-Oeste e imediações. Na Praça Rocha Pombo, ficam as mulheres mais velhas. Muitas atuam há décadas na prostituição. Na avenida Tiradentes e ruas vizinhas, são os travestis que costumam se exibir. Já os garotos de programa se concentram perto Bosque, no centro, e na barragem do Lago Igapó.
Pela internet
O historiador da UEL concorda que a internet diminuiu o poder que os cafetões tinha sobre as garotas. Mas ressalta que muitos sites funcionam como prolongamentos de boates e prostíbulos, pois fazem propagandas de meninas que continuam sendo agenciadas. Holz adverte ainda que se a web trouxe mais lucros às profissionais do sexo, por outro não é garantia de tranquilidade porque qualquer pessoa pode acessar um site, inclusive clientes mal intencionados.


