‘‘Darei todas as minhas aulas no Power Point!’’, logo avisou o professor Hélio Gianesella, no primeiro dia de aula em uma turma de cursinho, em São Paulo, referindo-se ao conhecido aplicativo de exibição de slides da Microsoft. A reação dos alunos foi unânime, ele conta: todos desdenharam que o programa seria uma ferramenta para contribuição de um aprendizado mais prazeroso.
O que ocorre, no entanto, é que muitos dos professores que se aventuram a mergulhar nesse universo de apresentações no Power Point acabam tornando-a maçante. Acostumados a tecnologias mais antigas, é comum, por exemplo, professores utilizarem a ferramenta como se fosse a própria lousa. ‘‘O professor acha que está se modernizando quando, na verdade, ele está aumentando ainda mais o abismo que existe entre ele e o jovem de hoje’’, critica Gianesella.
Blocos e mais blocos de texto projetados na tela dão nenhuma contribuição ao ao aluno, a não ser sono. ‘‘Se você vê uma apresentação mesmo que seja no Power Point com texto e imagem mas que fiquem estáticos, é chato e dá sono’’, diz Felipe Augusto Gorla, estudante do segundo ano do curso de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Apresentações em softwares como o Power Point e com movimento são possíveis e podem ser uma ferramenta poderosa de aprendizado. Nem todo mundo sabe disso, mas no programa de computador, é possível criar desenhos e aplicar efeitos neles. É esse o meio que o professor Hélio Gianesella encontrou para conseguir ensinar aos seus alunos as complexas teorias da disciplina de Física. Difíceis teorias como a de óptica ganham contorno e movimento pelo criticado programa de computador.
A professora do curso de Química da UEL, Suzana Lucy Nixdorf começou a usar o aplicativo há oito anos, em uma época em que nem todo mundo era familiarizado com a ferramenta. ‘‘Tive curiosidade em aprender porque trabalhava em uma empresa de café e muitos estrangeiros vinham para discutir dados de laboratório. Tínhamos que comprovar que o café era puro e, ao invés de tabelas enfadonhas, fazíamos uma apresentação em volta disso’’, conta.
Atualmente, a professora consegue explicar aos seus alunos de Química Geral, por exemplo, como é que as moléculas de gás se comportam dentro de um recipiente, tudo a partir do Power Point. ‘‘O abstrato é difícil de se visualizar, principalmente em ciências exatas’’, acrescenta Matheus Sampaio Gouveia, do terceiro ano de Química.
Comportamento
das moléculas de gás
Fazer o estudante entender que, quando o volume do recipiente diminui, os choques entre as moléculas aumenta e, portanto, a pressão se eleva, é complicado. Afinal, as moléculas de gás não são visíveis e fica difícil compreender algo que não conseguimos enxergar. Mas elas podem ser muito bem representadas por meio de desenhos animados. ‘‘Você faz o aluno sair do abstrato e ir para o concreto. E gravar aquilo de que se está falando, porque ele vai passar a entender o que está acontecendo’’, assegura Suzana.
As fórmulas de Química também são mostradas no datashow, e o aluno pode trocar suas variáveis para conferir a mudança dos resultados. Recursos de cores, fotos, músicas e vídeos podem ser aproveitados para colocar o conteúdo a ser ensinado dentro do contexto em que

o aluno vive, facilitando a compreensão da matéria.

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