São Paulo, 20 (AE) - O Brasil se tornou o principal motor de crescimento do mercado de telefones celulares na América Latina. A opinião é do diretor para Novos Negócios e Estratégia da Motorola, Silvio Stagni. Sob sua supervisão, está o setor de Comunicações Pessoais do Americas Group, da Motorola. A entrada em operação do sistema pré-pago é a principal razão para o aumento de vendas dos celulares no Brasil, diz Stagni. Em dezembro, Stagni, que é brasileiro, deixa seu escritório nas proximidades de Chicago, sede mundial da Motorola, e volta ao País. Ele vai cuidar da área de Comunicações Pessoais da companhia no Brasil.
O fenômeno do pré-pago é semelhante ao ocorrido em outros países da América Latina e mesmo da Europa, como na Itália. No México, por exemplo, 60% dos celulares que entram em operação utilizam o sistema pré-pago. Na Itália, o índice fica entre 80% e 90%. Mas, como o índice de usuários por habitantes no Brasil ainda é baixo, o potencial do País é considerado superior. A companhia espera que o mercado total de celulares na América Latina, incluindo todos os fabricantes, seja de 18 milhões de aparelhos. Desse total, 6 milhões serão vendidos no Brasil, 4,9 milhões no México e 2 milhões na Argentina.
Vendas - Para o próximo ano a expectativa é de crescimento de 50% nas vendas de celulares no Brasil, que chegaria a cerca de 9 milhões de aparelhos. O México também deve ter suas vendas ampliadas em cerca de 50% por causa do pré-pago. Na Argentina, com taxa de crescimento semelhante, o principal fator de impulsão das vendas é a entrada em operação do sistema PCS (Personal Communications System). O Brasil também deverá ter licenças PCS em breve. O sistema opera em frequências de sinal mais altas, o que permite o uso de telefones celulares menores do que os atuais.
No ano passado, o Brasil representou 25% das vendas totais de celulares na América Latina. A projeção da Motorola é que o Brasil passe a ocupar entre 35% e 40% do mercado total da região no ano 2005. O sistema pré-pago tem representado uma redução nas receitas das companhias telefônicas. Mas, mesmo em países onde o pré-pago não é adotado, como os EUA, a forte concorrência tem reduzido as tarifas.
Tarifas - Nos EUA, a AT&T criou um preço único, seja para ligações locais ou de longa distância, de US$ 0,11/minuto para os celulares. A resposta da sua principal concorrente no país nesse mercado, a Sprint, foi oferecer uma mesma tarifa única, seja qual for a ligação, de US$ 0,10/minuto. Nos dois casos, ligações internacionais com celular têm acréscimo. Ainda nessa guerra, uma operadora regional, a Ameritech, de Chicago, passou a cobrar US$ 0,04/minuto.
O resultado dessa competição é uma pressão cada vez maior das operadores de telefonia sobre os custos dos fabricantes de aparelhos, diz o executivo da Motorola. Um aparelho celular analógico, que há cinco anos custava US$ 250, atualmente é vendido em uma faixa entre US$ 70 a US$ 90. As operadoras querem aparelhos mais baratos para reduzir o custo de aquisição pelo usuário. Como o subsídio inicial oferecido pelas operadoras para atrair o cliente faz parte do preço inicial do celular, as companhias pressionam os fabricantes por preços cada vez menores. Um celular que sai hoje por cerca de US$ 300 da Motorola, chega a ser vendido por US$ 100 ao usuário devido ao subsídio das operadoras. Por isso, a pressão por redução de custos.
A tendência continua sendo de queda nos preços, segundo o executivo da Motorola. Há projeções dando conta de que as tarifas de celulares nos EUA possam chegar a US$ 0,03/minuto em dois anos. Além disso, fabricantes asiáticos de equipamentos eletrônicos, como a Samsung, estão entrando no mercado de telefones celulares. O resultado para os atuais fabricantes será contínua pressão de custos. A própria Motorola e a Ericsson, por exemplo, já passaram por processos de reestruturação para enfrentar a concorrência.

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