Mercado de carros fica estagnado no ano 2000, dizem especialistas
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de setembro de 1999
Por Marli Olmos 
Frankfurt (Alemanha), 20 (AE) - A demanda de carros vai ficar estagnada no ano 2000 na América Latina. O alerta foi feito por especialistas internacionais do setor automotivo e apresentado à imprensa na abertura 58º Salão do Automóvel de Frankfurt (IAA) que está sendo realizado na Alemanha até o próximo domingo. Segundo o relatório apresentado pelos analistas não haverá nenhum crescimento na América Latina e um amumento de somente 1% na demanda de automóveis em todo o mundo.
Europa e América do Norte, que registraram crescimento este ano, deverão, ambos, ter uma queda de demanda de 2% no próximo ano. O Japão deverá se recuperar da crise e registrar crescimento de 3%. O leste europeu também tende a se recuperar.
Em todo o planeta, a demanda por carros de passeio cresceu 2% este ano, depois de ter registrado uma queda de também 2% em 1998, ano marcado pela crise asiática. No ano passado, os países da ásia, excluído o Japão, apresentaram a maior queda de demanda de carros em todo o mundo: 30%.
O gráfico da América Latina, preparado pelos analistas do IAA mostra queda de demanda na América Latina de 8% em 1998 e de 9% este ano.
Segundo o presidente da associação que representa a indústria automobilística e de autopeças na Alemanha (VDA), Bernd Gottschalk, um dos fatores para a evolução da conjuntura no ano 2000 será a continuação ou não da expansão da economia americana. "Em seu favor, destacam-se não só a persistência das taxas reduzidas da inflação, como também a sólida política financeira que poderia servir de modelo aos europeus", destacou.
A indústria automobilística alemã está tirando proveito do bom desempenho do setor no mercado americano e, aliado a isso
da desvalorização do marco em relação ao dólar, para manter altos os volumes de exportação. Hoje a indústria de veículos da Alemanha exporta 60% do que produz.
A queda de mercados, como o latinoamericano, representa hoje uma ameaça aos países que exportam veículos, já que a tendência é a indústria destas regiões, como o Brasil, concentrar esforços na exportação para compensar a queda no mercado interno.
"Existe uma luta terrível para conquistar os mercados e
num mercado global, a baixa de vendas em algumas regiões, como na ásia, América Latina ou Leste Europeu, repercute rapidamente sobre as condições de concorrência existentes nas outras regiões", destacou Gottschalk.
Gottschalk, que foi presidente da Mercedes-Benz no Brasil há sete anos, diz que no Brasil preocupa o fato de a demanda não estar acompanhando o aumento da capacidade produtiva das fábricas de veículos. Para ele, o potencial de crescimento do mercado brasileiro só deverá aparecer daqui a cerca de três anos.
Frota - Hoje, 520,2 milhões de automóveis rodam pelo mundo. A frota de carros de passeio do planeta aumentou 74,4% em comparação com 1980. Com os veículos comerciais leves, a frota de hoje alcança 716 milhões de unidades. Mas o ritmo de produção está muito mais rápido do que o consumo.
A capacidade de produção da indústria automobilística mundial hoje é de 70 milhões de veículos, o que indica uma sobra de 20 milhões por ano, já que o consumo mundial tem ficado em torno de 50 milhões.
A produção na América Latina tende a aumentar no próximo ano, segundo os analistas. Mas o volume deverá ainda ficar abaixo do nível de 1997, quando o Brasil, que concentra os maiores volumes da região, alcançou o recorde de mais de 2 milhões de unidades.
Por outro lado, os analistas do IAA registraram, em seu relatório, a expectativa de a estabilidade econômica mundial se refletir nos negócios com carros. Lembram que o Fundo Monetário Internacional (FMI) aumentou a projeção de crescimento econômico mundial de 2,3% para 2,8%.
"O Japão começa a se recuperar da crise e o cenário financeiro na Europa é favorável, sem riscos inflacionários à vista", destaca o relatório dos analistas.


