São Paulo, 09 (AE) - A falta de confiança em uma retomada no consumo de carne bovina no varejo no curto prazo está fazendo com que os frigoríficos reduzam suas compras. Por outro lado, a alta do dólar verificada nesta semana fez com que os pecuaristas também começassem a segurar suas ofertas. Segundo José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, os frigoríficos fazem poucas ofertas a R$ 31,00 para descontar o Funrural e R$ 30,00 livre de Funrural por arroba, mas os negócios são raros.
Ferraz acredita que o pecuarista está inseguro para vender boi à medida que não consegue fixar o preço em dólar. Com compras menores que o esperado, o atacado voltou a recuar e o traseiro/dianteiro é negociado hoje a R$ 2,50/R$ 1,50, uma queda de 12,5% desde o início do mês no traseiro e uma retração de quase 19% no dianteiro. Mesmo assim, o varejo não está repassando a queda para os preços de prateleira e os consumidores estão passando longe da carne bovina. Para Ferraz, este fator aliado à queda sazonal de consumo na semana do Carnaval pode levar a maiores quedas de preço tanto no físico como no atacado. Segundo Alcides Torres, da Scot Consultoria, os preços praticados no atacado refletem uma arroba equivalente no físico de R$ 29,85.
Este equivalente chegou a R$ 36 há menos de um mês. Torres acredita que, além da retração do consumo, os frigoríficos também reduziram suas compras porque estão abastecidos e com escalas para até seis dias. Segundo ele, a mesma pressão registrada em São Paulo está sendo sentida em outros Estados. No Paraná, a arroba do boi recua para R$ 27,50, no Mato Grosso do Sul os frigoríficos oferecem R$ 30 mas os pecuaristas querem R$ 31. Na BM&F, os preços voltaram a cair, com outubro aindo não conseguindo quebrar o suporte de US$ 19. Abril, contudo, rompeu o suporte e caiu para abaixo do nível de US$ 16.

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