Discutir as perspectivas do mercado de carbono sob a ótica do empresário rural - este é o objetivo do 1º Simpósio Brasileiro sobre Fixação de Carbono em Sistemas Agrícolas e Florestais, evento promovido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) que começou ontem em Londrina.
A discussão do mercado de carbono vem sendo feita antes mesmo da ratificação do Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, e que prevê várias medidas para reduzir as emissões dos gases causadores do efeito estufa, principalmente o dióxido e o monóxido de carbono. Uma das medidas é a criação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que estabelece que cada tonelada de gás carbônico que deixa de ser emitida ou que é retirada da atmosfera por ano pode ser negociada no mercado mundial, a um valor que pode variar de US$ 3 a US$ 20 por tonelada.
Para o Brasil, primeiro país em desenvolvimento a criar regras para obtenção e venda de créditos de carbono, o mercado é promissor, segundo o coordenador de Pesquisas e Mudanças Globais Estratégicas do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), José Gonzalez Miguez, apesar do preço baixo. Cerca de 18% do volume de gás que deverá ser reduzido na atmosfera para atender ao Protocolo de Kyoto, poderá vir de projetos no Brasil, de reflorestamento, hidrelétricas, retomada do Proálcool, utilização de energia renovável, como a energia aeólica e a solar, além da utilização de biomassa (resíduos florestais e bagaço de cana) para produção de energia. ''O importante é criar capacitação nessa área'', ressaltou Miguez.
Para entrar em vigor, o Protocolo de Kyoto precisa ser ratificado por pelo menos 50 Estados partes da Convenção, incluindo países desenvolvidos, responsáveis por 55% do total das emissões de gás carbônico. Mas a ratificação depende da Rússia, que adiou a decisão para o primeiro semestre do próximo ano. Mesmo sem a aprovação do protocolo já foram realizadas 150 transações de créditos de carbono no mundo entre 1997 e 2002. Segundo o Banco Mundial, 200 milhões de toneladas do gás já foram negociadas, movimentando US$ 350 milhões.
Se a emissão de carbono não for reduzida a previsão de especialistas da área é que a temperatura média no globo terrestre aumente em 4 graus até o ano de 2090, o que poderá acarretar derretimento das calotas polares e a consequente inundação de cidades litorâneas.
O pesquisador do setor de agrometeorologia do Iapar Paulo Caramori explica que o futuro é incerto também para a área de agricultura por causa das mudanças climáticas drásticas. ''Com 4 graus a mais não seria mais possível, por exemplo, o plantio de café no Paraná'', explicou.
O simpósio, que é dirigido a agrônomos, engenheiros florestais, ecologistas, gestores ambientais e biólogos, termina sexta-feira.

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