Mercado de capitais quer suspensão de medidas
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quinta-feira, 07 de outubro de 1999
Por Irany Tereza e Monica Ciarelli 
Rio, 08 (AE) - Representantes do mercado de capitais já começam a se organizar para negociar com o governo a suspensão de medidas como a taxação das aplicações em renda variável, prevista para vigorar a partir de 2002. "Vamos ao governo, ao ministro e iríamos à madre Teresa de Calcutá, se ela estivesse viva", disse o presidente da Bolsa de Valores de São Paulo, Alfredo Rizkallah. "Estamos tornando cada vez mais difícil o desenvolvimento do mercado de ações e o Brasil está abrindo mão do único instrumento viável para financiar o seu desenvolvimento."
Rizkallah qualificou de "um equívoco" a elevação da alíquota do Imposto de Renda incidente sobre lucros obtidos com a venda de ações e defendeu a aprovação urgente da reforma tributária como alternativa aos "remendos" feitos pelo governo. O presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas, Alfried Plger, reeleito para o cargo e empossado hoje, comentou que não haverá mais atrativo para o investimento em ações contra as aplicações em renda fixa e previu uma fuga dos negócios para bolsas de valores em outros países.
"Até a bolsa do México é mais exuberante do que todas as brasileiras juntas", disse Plger, lembrando que o valor movimentado em bolsa no Brasil é de R$ 150 bilhões. "Estamos muito preocupados com a palavra transitória com a qual o governo classifica essas medidas", afirmou, criticando os juros "estratosféricos" que são adotados no País.
O presidente da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ), Carlos Reis, criticou a decisão do governo de taxar de modo igual as operações de renda fixa e renda variável. Segundo ele, isso vai prejudicar o mercado brasileiro de ações e é "injusto", pois o investidor corre um risco maior ao aplicar nas bolsas do que na renda fixa. Reis acredita que medidas como as anunciadas hoje pelo governo não serão concretizadas. Até 2002, quando elas entram em vigor, explicou, o governo já terá equacionado seus problemas e não precisará lançar mão dessas mudanças. O presidente da BVRJ diz que a tributação pode afastar o investidor estrangeiro do País, como já indicou o fraco volume negociado nas bolsas de valores hoje de manhã.


