São Paulo, 09 (AE) - O volume de negócios à vista no mercado físico de boi gordo está crescendo. São os poucos os frigoríficos que conseguem, hoje, fechar negócios com pagamento a prazo. Segundo José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, os pecuaristas estão temendo que o setor frigorífico deixe de honrar seus compromissos depois que a desvalorização do real ampliou as dívidas de alguns deles.
Para Alcides Torres, da Scot Consultoria, neste cenário, saem ganhando os frigoríficos exportadores que possuem capitalização para pagar o frigorífico e por isso conseguem pagar à vista ou mesmo 30 dias de prazo.
"Frigoríficos como o Bertin e o Minerva conseguem prazos de 30 dias para pagamento porque são frigoríficos grandes em quem os pecuaristas sentem maior segurança para negociar", informa Élio Micheloni, da Fortune Consultoria.
Micheloni disse também que estes frigoríficos maiores, por terem uma maior estrutura, conseguem comprar bois a um preço melhor que os demais e são uns dos poucos que possuem escalas até sexta-feira. "Eles conseguem pagar mais barato à prazo que os outros frigoríficos à vista", disse.
Segundo ele, os frigoríficos estão, na maioria, com escalas de apenas um ou dois dias. No mercado físico do interior paulista, as ofertas continuam escassas e os preços da arroba chegam a R$ 33, um boi caro considerado o preço da carne no atacado.
Segundo Torres, a Scot Consultoria, o preço da carne no equivalente físico atinge apenas R$ 30,45 por arroba. De uma forma geral, as perdas estariam chegando a R$ 2,55 por arroba.
No atacado, os preços continuam inalterados com o traseiro/dianteiro a R$ 2,55/R$ 1,60 sem expectativa de um novo repique. Torres informa também que os frigoríficos que pagam à vista conseguem, às vezes, um "deságio" de até R$ 1,50 por arroba, o que derrubaria o preço para R$ 31,5 livre de Funrural. Mesmo assim, o preço do boi ficaria R$ 1,00 acima do preço da carne.

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