São Paulo, 12 (AE) - O mercado de biscoitos e massas alimentícias deverá passar por uma forte concentração nos próximos quatro anos. Os atuais 571 fabricantes de macarrão não passarão de 100 em 2003 e as dez maiores empresas que hoje respondem por 45% do mercado de massas passarão a deter 60%. No segmento de biscoitos, as dez maiores indústrias, dentre 450 que hoje estão em atividade, deverão responder por cerca 70% da produção.
Na análise do presidente do Sindicato da Indústria de Massas Alimentícias e Biscoitos do Estado de São Paulo (Simabesp), José dos Santos dos Reis, a concentração da produção nesses dois segmentos não será comanda por empresas de fora que ainda vão se estabelecer no País, mas pelas que já atuam por aqui.
No segmento de biscoitos, as quatro gigantes mundiais - Nestlé (suíça), Nabisco (norteamericana), Danone (francesa) e Canale (argentina) já estão no Brasil e deverão concentrar ainda mais o mercado brasileiro. "Nesse segmento, não estamos vendo perspectiva de novas empresas virem para o País", prevê o presidente do Simabesp, que acaba de concluir um estudo que é uma espécie de radiografia do setor de massas/biscoitos.
No caso das massas alimentícias, a tendência é de a concentração ser puxada pelas maiores companhias (Canale, Selmi, M.Dias Branco e J.Macedo). É que a baixa rentabilidade desse segmento e o retorno mais demorado não são atrativos para o capital externo, diz Reis.
O executivo aponta também para a tendência, no setor de massas, de as grandes empresas pulverizarem pelo País as suas unidades de produção. Com os aumentos de custo, especialmente do frete, e como o produto é de baixo valor unitário, Reis explica que é mais rentável para a indústria produzir perto dos centros de consumo.
"Essa tendência de desconcentração física das unidades produção já está ficando vísivel na Região Nordeste do País", ressalta o presidente do sindicato, destacando que os governos locais estão oferecendo vantagens competitivas, como terreno e serviços de terraplanagem.
Recheado - Os biscoitos recheados são atualmente os líderes de vendas no mercado brasileiro, apesar da recessão. Números do sindicato mostram que esse tipo de produto responde hoje por 29,5% das vendas, seguido pelo cream cracker e o biscoito água e sal, que detêm 23,8% do mercado. No biênio 96/97
os biscoitos recheados respondiam por 22% do mercado e a liderança era do produto cream cracker e água e sal, com 29%.
"Os preços dos biscoitos recheados caíram", afirma Reis. Por isso foi possível ampliar a base de consumo, apesar da recessão. Atualmente, diz ele, encontra-se um pacote de biscoito rechedo por R$ 0,50.
Os preços despencaram porque, como a rentabilidade desse produto era muito boa, as companhias investiram pesado, compraram máquinas e a oferta cresceu, afetando os preços. "O biscoito recheado virou commodity", afirma.
Mesmo assim, o consumo per capita de biscoitos ainda é pequeno, de 6,7 quilos por habitante ao ano, e a intenção é atingir 9,8 quilos em quatro anos.

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