São Paulo, 20 (AE) - O mercado da dívida latina abriu pressionado, uma vez que o clima de incerteza e desconfiança em relação ao Equador continua. Operadores observam, no entanto, que a expectativa de abertura em alta na Bolsa de Nova York e o cenário mais tranquilo no mercado de Treasuries limitavam as perdas. Às 9h56 (de Brasília), o C-Bond operava em baixa de 0 21%, em 58,375 centavos por dólar. Ontem, o C-Bond recuou 1,7%. O Brady equatoriano PDI, de maior liquidez, caía 4,3%, negociado em 22,00 centavos por dólar, ampliando as perdas do papel que, somente ontem, desvalorizou-se 17%.
Analistas disseram que, embora o governo equatoriano tenha negado que dará calote unilateral em sua dívida, o mercado interpretou a notícia de renegociação com o FMI de seus compromissos externos como um "default". "A renegociação indica que os pagamentos deixarão de ser feitos na forma como estavam previstos, o que não deixa de ser um calote", disse um analista. Ontem, o subsecretário de Orçamento do Ministério das Finanças do Equador, Jaime Carrera, disse à Dow Jones que a ministra das Finanças, Ana Lucia Armijos, está em Washington negociando com o FMI "uma estratégia de renegociação da dívida do país em geral e não apenas de Bradies". Ou seja, incluindo a dívida em Bradies, que equivale a 45% do total de US$ 13 bilhões devidos no exterior pelo Equador. É provável que uma decisão sobre as negociações do governo do Equador com o FMI seja anunciada hoje, conforme informou Carrera. Os PDIs são títulos referentes à dívida reestruturada pelo plano Brady, com vencimento em 2015 e que pagam cupom semestral de 6%. (Cynthia Decloedt)

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