Mercado critica normas para fundos
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 06 (AE) - A proibição de cobrança de taxa de "performance" pela administração dos fundos de renda variável vendidos nas agências bancárias de varejo pode ser uma interferência governamental indevida no mercado, argumentam analistas do setor. O valor, que variava de acordo com o rendimento da aplicação, era uma alternativa de pagamento à taxa fixa de administração - que agora é a única forma de remuneração de fundos de varejo.
O sócio-diretor do Banco Opportunity, Maurício Gentil, afirmou hoje que a restrição "cassou" um direito do investidor
e lembrou que não existe uma relação direta entre o risco do investimento e o pagamento deste tipo de taxa. "No ano passado, todos os investidores que aplicaram em fundos com taxa de performance pagaram menos ao administrador, porque os resultados foram negativos, enquanto que os outros investidores tiveram de pagar uma taxa de administração de 4%", acrescentou.
"Todas as vezes em que algum órgão tenta arbitrar a relação entre fornecedor e cliente, não há boas histórias", alertou o diretor do Opportunity. Para o diretor, a intervenção no preço pode acabar gerando soluções entre o administrador e o fundo para que estes "artificialismos" sejam contornados. "É como na Lei Seca, que só mudou o preço do uísque", comparou.
Apesar de considerar que as normas baixadas ontem pela CVM ajudarão a melhorar o nível do mercado, Gentil apontou algumas resoluções que não terão efeito prático. A separação física entre a administração dos fundos e a tesouraria dos bancos que oferecem o serviço é uma delas. "Desde que inventaram o telefone, isto não adianta", afirmou."Se separação física resolvesse alguma coisa, não teríamos a CPI que está havendo", argumentou. "O que preserva o investidor é o princípio ético do administrador".
O gerente geral de Fundos do Banco Bozano, Simonsen, Régis Abreu, também mostrou-se preocupado com o "nível de intervenção" do governo no mercado de fundos, a partir da discussão sobre quais poderão ou não cobrar taxas de performance. Mas ele também elogiou a disposição da CVM em preservar o pequeno investidor, para evitar perdas patrimoniais.


