Mercado cai novamente Do correspondente Paulo Sotero
Washington, 25 (AE) - A Bolsa de Valores de Nova York caiu hoje pelo quarto pregão consecutivo e fechou em 10.531,09, com uma perda de 123,58 pontos, ou 1,2%, no índice Dow Jones. O movimento de venda de ações eliminou um ganho de mais de cem pontos.
O motivo da queda foi, mais uma vez, a preocupação dos investidores com a elevação dos juros que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, sinalizou na semana passada como uma probabilidade, diante de um ressurgimento da inflação numa economia que já está no seu oitavo ano de expansão.
O baque na bolsa brasileira, provocado pelas alegações sobre possíveis irregularidades na privatização das empresas telefônicas, envolvendo o presidente Fernando Henrique Cardoso, e a crise de credibilidade que a Argentina atravessa não tiveram influência na queda em Wall Street, disseram os analistas.
Mas ambos, somados ao recúo do mercado norte-americano, contribuíram para uma desvalorização de mais de 1% do principal índice da bolsa da Cidade do México e ajudaram a alimentar quedas em outros mercados na região.
A bolsa de Nova York abriu em alta, puxada pela divulgação, pela manhã, de informações positivas sobre a confiança dos consumidores. Um sinal importante da atividade econômica no futuro (dois terços da atividade econômica nos EUA dependem dos gastos dos consumidores), o índice subiu em maio pelo sétimo mês consecutivo, um novo recorde.
A animação foi reforçada por um relatório de uma associação industrial prevendo a continuação de um forte crescimento econômico no segundo semestre com poucos indícios de pressão inflacionária.
Mas, na hora final do pregão, o entusiamo que empurrara as ações para cima evaporou e o temor da alta de juros voltou a dominar os cálculos dos investidores. A exemplo do que ocorrera segunda-feira, as ações das empresas de tecnologia, sobretudo das que operam via Internet, foram mais punidas pelos investidores.
Essas companhias, que trabalham com estreitas margens de lucros, são vistas como as de maior risco pelo mercado num quadro de juros em alta. "O mercado está sofrendo os efeitos das pedradas e flechadas de duas semanas de notícias negativas"
disse Scott Bleier, da firma Prime Charter Ltd., referindo-se à renúncia do secretário do Tesouro, Robert Rubin, e a decisão do Fed de mudar a orientação da política monetária e anunciar, pela primeira vez, a adoção de um viés de alta de juros ao menor sinal de repique da inflação de 0,7% registrada em abril no Índice de Preços do Consumidor.
A divulgação de novos indicadores econômicos esta semana, mostrando uma economia a pleno vapor, continuará a alimentar a ansiedade dos investidores e seu distanciamento de ações caras e de valorização rápida, em favor de ações de empresas de serviços públicos (água, luz, gás) e outras de setores cujas atividades são mais cíclicas e prevíveis.





