São Paulo, 29 (AE) - A cada 15 anos o mercado mundial de água dobra de tamanho. As perspectivas para o Brasil são de um crescimento ainda maior. Contra investimentos correspondentes a 0,13% do PIB em 1990, a projeção do BNDES é de que esse valor chegue a 0,38% do PIB até 2010. Seriam US$ 39 bilhões até lá, ou US$ 3,2 bi ao ano para se atingir a universalização do fornecimento de água.
O crescimento dos investimentos, pela perspectiva do BNDES, depende fundamentalmente da privatização do setor hídrico e de saneamento que caminha, porém, em ritmo lento, com muitas indefinições. Segundo a Associação Brasileira das Concessionárias de Serviços Públicos de água e Esgoto (Abcon), os contratos de concessão, assinados entre 1994 e 1998, atendem a uma população de 4 milhões de habitantes. Dos investimentos de US$ 1 bi previstos, apenas 12% foram feitos até agora.
"O setor pode ser privado ou público desde que haja investimentos", disse o vice-presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Mário Mugnaini Júnior, lamentando a falta de investimentos do setor público na última década, durante a Conferência Internacional de Recursos Hídricos e Saneamento, realizada nas últimas segunda e terça-feiras, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
Apesar da indefinição das regras para o setor, que inclui uma possível agência nacional, os empresários brasileiros estão interessados. Uma pesquisa do Fórum Nacional da Construção Pesada, realizada em 1998, apontou que 72% dos consultados querem entrar nesse mercado no futuro.
Pressões políticas - O consultor inglês Gerald Jones, da Water Research Center, disse que o fundamental, para se ter um sistema eficiente, é afastar a ingerência política da administração das empresas do setor. "Se há necessidade de investimentos, é preciso que a empresa tenha credibilidade e confiança junto ao mercado e é difícil ter isso em uma empresa sob comando político", disse Jones, cuja empresa presta assessoria no Paraná. "A partir da independência, a empresa pode ser pública ou privada." De acordo com Jones, falta às empresas brasileiras experiência para trabalhar no ambiente privado e com perspectivas de longo prazo. Essa limitação poderia ser compensada a partir de parcerias com empresas estrangeiras. Além da francesa Lyonnaise des Eaux, que participa do consórcio que explora a concessão na cidade de Limeira (SP), a maior empresa do setor da Inglaterra, a Thames Water, já instalou uma subsidiária no Brasil.
No Reino Unido, há empresas públicas e privadas operando o sistema de saneamento. Há dez anos, o serviço na Inglaterra e no País de Gales foi privatizado, com a escolha de dez operadoras - algumas com atuação no mercado internacional. Mas na Irlanda e na Escócia o serviço ainda é público, com algumas experiências recentes de financiamento privado para alguns contratos.

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