São Paulo, 16 (AE) - O mercado pode virar, mas, a princípio, há muito pouco a fazer nesta sexta-feira a não ser prosseguir na contagem regressiva para o anúncio pelo governo brasileiro do lançamento de US$ 1,5 bilhão de bônus soberanos e para o vencimento de opções. Após a declaração do economista Edmar Bacha de que a emissão de títulos da República deve ocorrer ainda nesta semana, o mercado ficou mais animado, mas sem perder de vista a próxima segunda-feira - dia em que vencem os contratos de opções e também termina o prazo para a troca de RCTB-30 e RCTB-40 por novos papéis - RCTB-31 e RCTB-41 - que não terão mais resquícios de Telebrás.
Estes novos papéis vão compor o Ibovespa e o IBX, também da Bolsa de Valores de São Paulo, e entram no pregão na terça-feira, dia 20, quando os dois índices serão ajustados. O objetivo da troca é acompanhar o processo de "deslistagem" da Telebrás na Bolsa de Nova York. Até lá, é possível uma nova investida contra os recibos de Telebrás negociados a vista, como ocorreu ontem, quando "comprados" e "vendidos" em opções exerceram forte pressão sobre o preço desses papéis, cuja concentração de contratos está em R$ 150,00 o lote de mil. O mercado está atento a este vencimento, de um lado pela distorção de volume que ele poderá provocar na bolsa brasileira além da possibilidade de trazer perdas aos "comprados" se os "vendidos" voltarem a bater no papel hoje e, de outro lado, porque o próximo evento semelhante - que historicamente afasta dos negócios os investidores estrangeiros - ocorrerá apenas daqui a dois meses. Neste intervalo, e sobretudo nas próximas semanas, o mercado espera confirmar a consolidação do giro financeiro da Bovespa em novo patamar com maior oferta de capital estrangeiro.
Juros - É grande a expectativa com aplicações de "global funds" que estão atrasados em relação a outros investidores neste processo de realocação de recursos, incluindo agora, alguns mercados emergentes. Não há garantia de que isto vai ocorrer, mas há esperança. Até porque - embora mais contido em suas manifestações de otimismo enquanto não se tem uma idéia da magnitude de repercussão da CPI do Sistema Financeiro - o mercado mostra-se convencido de que os juros cairão mais rapidamente a partir da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar o juro de 39,5% para 34% ao ano. O elevado número de depoentes que a CPI do Sistema Financeiro pretende convocar sugere que as investigações serão prolongadas.
O próprio mercado arrisca prever que a CPI não termina antes do terceiro trimestre do ano. É muito tempo e assunto a discutir se a estimativa dos operadores estiver correta. Mas, a primeira amostra da CPI, tocada no âmbito do Senado, não alterou o rumo dos negócios ou de expectativas. Neste momento, percepção que não é consenso, mas ganha corpo, é a de que o País saiu do atoleiro provocado inicialmente pela moratória russa e depois pela mudança do câmbio preparando-se para uma fase de crescimento. Quem não abraça esta idéia no escuro e tampouco apóia análises inteiramente no comportamento do mercado financeiro - optando pela ótica do setor produtivo - corre o risco de ser apontado como "derrotista" pelo presidente FHC e prefere, portanto, guardar silêncio mas não descarta a possibilidade de o mercado estar certo. Isto é, estar antecipando um período de calmaria e progressos.
Hedge - O mercado está aproveitando o momento - considerado vazio de fatos novos por alguns até pela ausência do presidente da República que cumpre agenda na Europa até o feriado da semana que vem - e procura fazer seu "hedge". Além da compra firme de títulos federais, as instituições financeiras estão se reposicionando no mercado futuro. Ontem, o Tesouro foi novamente bem sucedido nos leilões de LTN e LFT e elevou a R$ 9 5 bilhões o volume de títulos federais colocado em mercado apenas nesta semana. Este volume supera em mais de R$ 2 bilhões os vencimentos previstos. Na BM&F, os contratos negociados com lastro em depósitos interfinanceiros (DI) voltaram a superar 100 mil nesta quinta-feira, reprisando o movimento da terça-feira, considerando consistente quanto à liquidez aos participantes dos negócios e também para a formação de taxas.
Os contratos em aberto nos quatro primeiros vencimentos de DI - de maio a agosto - estão encostando em 156 mil. O futuro de câmbio da BM&F está mantendo o giro médio diário próximo do que foi observado no mês passado e que correspondia, ontem, a menos da metade do volume garantido pelas taxas de juros. As posições em aberto, também para os quatro primeiros vencimentos, chegam a 121 mil.

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