Brasília, 24 (AE) - O líder do PT na Câmara, Aloízio Mercadante (SP), surpreendeu os colegas, na sessão do plenário desta manhã, ao requerer votação nominal do projeto de decreto legislativo que ratifica o acordo internacional assinado entre os governos do Brasil e de Angola para a supressão de vistos em passaportes diplomáticos e de serviço.
A surpresa ocorreu porque, tradicionalmente, as matérias postas na pauta das manhãs das quintas-feiras são submetidas a acordo prévio de líderes, com o objetivo de dispensar a votação nominal e, consequentemente, liberar os deputados para retornar aos Estados tão logo registrem a presença no plenário.
Mercadante justificou o pedido de verificação do quórum, argumentando que, num ano no qual um terço dos deputados devem disputar eleições municipais, não é admissível que os trabalhos legislativos, principalmente das comissões, fiquem suspensos por mais de 20 dias, levando-se em conta que as mesas das comissões permanentes só serão definidas no dia 15.
O deputado disse ainda que é inaceitável o fato de o destaque do nepotismo não ter sido apreciado ontem (23), durante a votação da reforma do Poder Judiciário, e que o pedido de verificação foi um chamamento para que os deputados cumpram as obrigações e que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), convoque uma reunião do Colégio de Líderes para definir logo as presidências das comissões.
"Queremos separar o joio do trigo", justificou o líder do PT, que foi repreendido por Temer. "Os líderes devem, em primeiro lugar, preservar a imagem da Casa", advertiu o presidente da Câmara, observando que a média de deputados presentes durante a convocação extraordinária foi 490.
O líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), contestou Mercadante, dizendo que ele não agia como um bom líder, ao expor
com a atitude, a imagem dos 14 deputados petistas ausentes na votação.
Geddel disse a Mercadante que a preocupação com a imagem da Câmara deveria ser apresentada ao Colégio de Líderes para não expor publicamente os deputados.
O líder petista afirmou que continuará pedindo verificação de quórum todos as quintas-feiras ao longo deste ano. No fim, o decreto foi aprovado por unanimidade.
Dos 513 deputados, apenas 413 registraram presença e só 281 votaram. Estavam ausentes cerca da metade dos deputados da base governista e um quarto dos da oposição.
As maiores ausências foram verificadas no PFL (59 deputados), no PSDB (51), no PMDB (51), no PPB (23) e no PT (14).

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