Mercadante diz que bancos especularam na véspera da mudança cambial
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
Por Nelson Breve 
Brasília, 23 (AE) - O deputado federal Aloisio Mercadante (PT-SP) denunciou hoje, na Câmara dos Deputados, especulações com o dólar às vésperas da mudança na política cambial. Segundo ele, no dia 11 de janeiro o mercado de câmbio flutuante estava vendido em US$ 821 milhões e no dia 12, véspera da mudança, ficou comprado em US$ 206 milhões.
Na linguagem do mercado, "vendido" é o investidor que lucra com a baixa do dólar e "comprado" é o que ganha com a alta. Segundo o deputado, em dois dias ocorreu troca de posições na casa de US$ 1 bilhão. Entre os bancos que participaram dessa mudança, Mercadante citou o JP Morgan, ING, BankBoston, Garantia
Pactual, Citibank e Matrix. Ele disse também que o Citibank, o Matrix e o Real há tempos apostavam na desvalorização cambial.
Mercadante afirmou que o Banco do Brasil perdeu US$ 8 bilhões com a "especulação no câmbio futuro" durante janeiro. Segundo o deputado, os bancos FonteCindam e Marka se teriam beneficiado com a compra de dólar por R$ 1,32 no dia 14 de janeiro, após a desvalorização.
Aloisio Mercadante, que é economista, quer que a Câmara dos Deputados convoque o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Franco e Francisco Lopes para darem explicações sobre essas operações. Na opinião do deputado, a explicação é vazamento de informações. "Se apenas cinco pessoas sabiam da desvalorização, como houve o vazamento?", questionou. Ele também sugeriu que a Câmara instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso.
Respostas - O diretor-vice-presidente de tesouraria do Citibank no Brasil, Ricardo Braga, rechaçou as afirmações do deputado federal do PT. "Não tivemos nenhuma informação privilegiada", afirmou Braga. "Não fazemos e não fizemos especulação", acrescentou. Segundo ele, o banco opera no Brasil como em qualquer um dos 100 países onde atua. Isso significa, explicou, manter seus investimentos com proteção em dólar. "Nossos investimentos são mantidos em valores históricos de dólar", afirmou. Por isso, quando ocorreu a desvalorização, a instituição não mantinha investimentos que não estivessem protegidos de uma eventual desvalorização, disse.
A assessoria do presidente do ING Barings, Carlos Craide
informou que ele não tinha nada a declarar e a assessoria de imprensa do JP Morgan disse que a instituição preferia esperar a divulgação oficial das declarações. Os bancos Matrix e BankBoston não responderam às ligações da reportagem até o fechamento desta edição.
O Banco Central afirmou, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que a denúncia de Mercadante "é uma matéria requentada". De acordo com a assessoria do BC, a informação já havia sido divulgada pelo jornal "Gazeta Mercantil" e desmentida em carta pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. Sobre os nomes dos bancos citados pelo parlamentar, o BC disse que não vai comentaria a situação de bancos.


