Mercadante acusa governo tenta desviar assunto da CPI
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Por Nelson Breve 
Brasília, 06 (AE) - O deputado Aloízio Mercadante (PT-SP) disse que o governo está tentando desviar o assunto objeto da CPI do Sistema Financeiro "do atacado para o varejo", quando questiona os dados apresentados por ele em seu depoimento de ontem à noite na comissão. Segundo o deputado, o fundamental em sua denúncia não é o valor do ganho de 24 bancos em janeiro com a maxidesvalorização do Real, e sim o comportamento destas instituições nos dias 11 e 12 de janeiro, véspera da mudança do regime cambial, e no dia 29 de janeiro quando, na opinião dele, houve manipulação do mercado para elevar a taxa de câmbio, o que aumentou os lucros das instituições que estavam "compradas" no mercado futuro de câmbio.
"O terrorismo do dia 29 foi parte do ataque especulativo", afirmou Mercadante. Ele disse, ainda, que os líderes governistas estão tentando subestimar a gravidade do ataque especulativo e a responsabilidade do governo naquele episódio, independentemente do vazamento de informações. "A transferência de renda do governo e de setores produtivos para o mercado financeiro que houve em janeiro não encontra paralelo na história recente do País", disse Mercadante, lembrando que o prejuízo do Banco Central chegou a R$ 7,4 bilhões.
O deputado disse, ainda, que a tabela apresentada por ele, ontem, na CPI do Sistema Financeiro, que mostra que 24 bancos concentraram 95,3% dos ganhos em todas as operações da BM&F em janeiro, num total de R$ 10,2 bilhões, está subestimada, já que não inclui operações em outras carteiras, como por exemplo a de títulos públicos indexados ao câmbio. Mercadante sugere que a CPI investigue todos os fundos de capital estrangeiro que tiveram grandes lucros em janeiro e cujos principais cotistas sejam sócios dos bancos administradores ou empresas coligadas.
Ele ressalva que nem todas as instituições por ele relacionadas como as que mais lucraram com a maxidesvalorização atuaram especulativamente. Ele reconhece que os ganhos na BM&F podem ter sido anulados por prejuízos em outros mercados. Ele insiste, no entanto, em que a CPI investigue essas instituições, começando com audiências reservadas e aproveitando informações das auditorias do BC. "Minha expectativa é de que a CPI tenha uma agenda um pouco mais séria e produtiva", afirmou.


