Por Assimina Vlahou, especial para AE
Roma, 10 (AE) - No tradicional encontro com o corpo diplomático dos 170 países representados junto a Santa Sé, o papa João Paulo II fez hoje (10) um balanço do século que terminou.
Assinalou os aspectos positivos e os esforços que estão sendo feitos para o estabelecimento de uma "nova ordem mundial" para criar uma "verdadeira comunidade das nações". Mas elencou também os pontos negativos deixados como herança ao novo século e que o preocupam.
"Repetem-se os erros do passado", afirmou o pontífice citando algumas características do século XX: "perseguições religiosas, recurso frequente à guerra, desigualdades sociais, diversidade entre países ricos e países pobres e uso de critérios baseados apenas no rendimento econômico".
João Paulo II sugere que o século XXI seja o século da solidariedade e que os homens sejam mais responsáveis. Primeiro com si próprios- eliminando "corrupção, crime organizado e a passividade", e com os outros com maior atividade no campo social, respeito por ambiente e natureza e renúncia ao que define como verdadeiros "ídolos" da sociedade moderna: "o bem estar a todo custo, a riqueza material como único valor, a ciência como única explicação do real".
O santo padre reconhece as conquistas do século XX: progressos científicos que melhoraram a qualidade de vida e a saúde dos homens e as tecnologias informáticas que eliminaram distâncias aproximando as pessoas. Mas lamenta que não foi um período de plena fraternidadede.
A lista negra dos últimos 100 anos segundo seu balanço é grande: "guerras, êxodos, genocídios vergonhosos, corrida armamentista, terrorismo e conflitos étnicos" e o perigo das biotecnologias que "continuam a ter novos campos de aplicação mas colocam limites que não devem ser superados se quisermos salvaguardar a dignidade, responsabilidade e segurança das pessoas", afirmou no discurso pronunciado em francês.
A globalização, tema de vários discursos e documentos ao longo de 20 anos de pontificado, foi analisada sob duas óticas: criou possibilidades de crescimento mas fez com que muitos permanecessem às margens do caminho. "O desemprego nos países mais desenvolvidos e a miséria em muitas nações do sul do hemisfério mantêm milhões de homens e mulheres afastados do progresso e do bem estar", denuncia o papa.
A soluçao é a solidariedade segundo o santo padre que elenca as prioridades. Os países devem dividir tecnologia e prosperidade, incluindo a questão da dívida externa dos mais pobres; respeito dos direitos do homem; prevenção dos conflitos e diálogo sereno entre civilizações e religiões para evitar de "excluir ou matar em nome de Deus".
Definindo-se como um "companheiro de caminhada de várias gerações do século que terminou", como sucessor do apóstolo Pedro há mais de 21 anos disse ter um sentimento de paternidade universal para com todos os homens e mulheres dessa época. E através dos embaixadores presentes na cerimônia fez um apelo: "Em nome de Deus preservem a humanidade de novas guerras, respeitem a vida humana e a família, eliminem as desigualdades entre ricos e pobres. Compreendam que todos somos responsáveis por todos".