Curitiba- O uso da mão-de-obra dos internos do Sistema Penitenciário do Paraná na manutenção dos presídios e em outras atividades contribui no processo de ressocialização. Apesar do fator positivo, menos da metade da população de presos cerca de 42,5%, em média se mantém ocupada. Pela Lei de Execuções Penais, a atividade nas penitenciárias que mantiverem canteiros de trabalho deve ser compulsória.
O levantamento do Departamento Penitenciário (Depen) órgão vinculdado à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania mostra que, dos 7.986 internos, 3.394 estão em atividade neste início de ano. O Sistema Penitenciário do Paraná dispõe de 184 canteiros, instalados em 15 das 18 unidades penais.
Do total de canteiros, 104 são mantidos pelo próprio Estado, onde as atividades são voltadas à administração e manutenção, agricultura, pecuária e piscicultura, lavanderia, artesanato, entre outras. Os 82 restantes são parcerias com a iniciativa privada, órgãos públicos ou instituições filantrópicas.
Nos canteiros do governo, o preso recebe pecúlio de R$ 42,00. Nos demais, o valor varia de R$ 42,00 a um salário mínimo (R$ 300,00). A cada três dias trabalhados, o preso reduz um dia da pena.
O chefe da Divisão de Produção do Depen, Gilberto Antônio Demoliner, explica que para participar dos canteiros de trabalho, o interno passa antes por uma avaliação psicológica realizada pelo Conselho de Tratamento. A Divisão Ocupacional e de Qualificação, o serviço social e a chefia de segurança também ajudam a avaliar o preso e decidir sobre a possibilidade de encaixá-lo em alguma atividade, considerando o histórico de seu comportamento.
A colocação do detento leva em conta, ainda, seu perfil profissional, de acordo com a atividade que exercia antes de ser preso. Problemas disciplinares e que comprometam a segurança podem levar o interno a perder a vaga no canteiro. Algumas atividades, como a costura de bolas, são feitas nas próprias celas.
Até o final de fevereiro, de acordo com Demoliner, deverão ser disponibilizadas outras 300 vagas em canteiros que serão abertos em parcerias com empresas e pelo próprio Estado. Ele adiantou que o Depen tem intenção de ativar uma fábrica de chinelos na Penitenciária Central do Estado (PCE), oferecendo 18 vagas, e montar um grupo itinerante de conservação de estradas com 50 detentos da Colônia Penal Agrícola (CPA). Até o final do ano, deverão ser totalizadas perto de 500 vagas a mais de trabalho nas unidades penais.
Ainda segundo Demoliner, o percentual de ocupação varia de acordo com as parcerias que são formalizadas. O Sistema Penitenciário do Paraná fechou 2005 com cerca de 54% dos presos trabalhando. Nessa comparação, o Depen inclui a população de unidades onde não há canteiros fixos de trabalho, como a Casa de Custódia de Curitiba (CCC) e o Complexo Médico Penal (CMP). O número de internos dessas duas unidades foi desconsiderado no cálculo da reportagem para a média de ocupação. O dado não é oficial, mas o Depen garante que, o Paraná é o estado mais avançado na oferta de postos de trabalho nas penitenciárias.

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