Londrina - Fernando Prioste, advogado da Terra de Direitos, ONG que atua em casos encaminhados por movimentos sociais e organizações da sociedade civil que envolvam situações de violação aos direitos humanos, destaca que os índices de violência no campo vêm diminuindo em todo o Brasil, exceto na Região Norte, onde os conflitos permanecem intensos. De fato, na pesquisa da CPT, os sete Estados daquela região continuam somando o maior número de ocorrências: 210 nos nove primeiros meses de 2011, com 12 das 17 mortes registradas no País.
''Nacionalmente, há uma redução principalmente nos conflitos relacionados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Hoje estão sendo registradas mais ocorrências relativas às questões quilombola, indígena, faxinalista'', descreve Prioste.
''Não sei apontar exatamente o motivo dessa mudança no Paraná, mas posso dizer o que mudou e o que não mudou. O que não mudou foi a concentração fundiária e a situação das famílias acampadas. De parte do MST, não estão ocorrendo mais ocupações, talvez por estratégia do movimento e porque os projetos de assistência social têm ajudado as famílias acampadas'', afirma o advogado.
Prioste relata que, hoje, apesar de ainda existir reivindicação por terras, o foco das solicitações dos movimentos sociais está na estruturação dos assentamentos já estabelecidos. ''Há uma dificuldade de fornecer estrutura e isso está gerando uma demanda grande na base do movimento'', aponta.
O advogado afirma que o Norte do Brasil está vivendo hoje uma situação parecida com a que o Paraná viveu no período em que Jaime Lerner era governador, com conflitos intensos, despejos e mortes no campo. ''O importante é que agora está ocorrendo o período de responsabilização, com o desfecho dos processos'', diz Prioste.
Gustavo Andrade e Lopes, presidente da Sociedade Rural do Paraná, também tem a percepção de que os conflitos no campo estão diminuindo no território paranaense.
''O poder público está buscando soluções, com o cumprimento de reintegrações de posse e o encaminhamento das questões da reforma agrária. Outro fator pode ser o crescimento da economia. Com o aumento da demanda por trabalhadores em todos os setores, esses movimentos ficam esvaziados. Além disso, a forma de financiá-los está sofrendo problemas. Devido à crise, organismos internacionais que apoiam essas iniciativas estão repassando menos recursos'', argumenta Lopes.
Ele aponta ainda que o amadurecimento da democracia e das instituições no Brasil também vem contribuindo, já que valorizaria o setor produtivo. ''Antes, esses movimentos pareciam mais voltados a uma plataforma política do que a resolver um problema social. Com a maturidade democrática, a verdade aparece'', justifica. (F.G.)

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