Menos aulas, mais despesas
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segunda-feira, 11 de maio de 2015
Rafael Fantin<br>Reportagem local 
Londrina Pela segunda vez, os estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) convivem com a indefinição do retorno das atividades acadêmicas em um ano que teve pouco mais de 30 dias de aulas. Se por um lado o ritmo dos estudos caiu por causa das greves do funcionalismo, os universitários alegam que as despesas para se manter em Londrina só aumentaram em 2015. Entre as principais reclamações estão os gastos com transporte, manutenção da moradia e alimentação.
O estudante do 3º ano de Artes Cênicas Danilo Gomes Neiva afirma que as despesas com as refeições aumentaram neste ano por causa das obras no Restaurante Universitário (RU), que não atende a comunidade desde dezembro. Segundo ele, o almoço no RU custava R$ 2,70 antes do fechamento, o que colaborava com o orçamento dos estudantes. "É muito difícil achar um restaurante com uma refeição no mesmo preço. Passei a gastar entre R$ 5,00 e R$ 10,00 no almoço", calcula. Além disso, o universitário lembrou que a tarifa do ônibus em Londrina foi reajustada em abril, o que provocou um impacto de aproximadamente R$ 40,00 nas despesas mensais.
No último ano da graduação de Medicina Veterinária, Rodrigo de Oliveira Marquês já planeja adiar o início do estágio em uma empresa de Campo Grande (MS) e deve continuar com as despesas do aluguel na Cidade Universitária da UEL por mais alguns meses além do previsto. "Eu iria começar o estágio obrigatório em agosto, mas por conta da greve a situação ficou indefinida. Hoje, o aluguel de um apartamento na região é de R$ 600,00 quando o espaço é dividido em duas pessoas", comentou o estudante de Santo Antônio da Platina, que não retornou ao Norte Pioneiro por causa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
Com despesas fixas com condomínio, luz, internet e aluguel, a estudante de zootecnia Gabriela Naji, de Arapongas (Região Metropolitana de Londrina), optou por permanecer em Londrina durante o período de greve. "Estou fazendo estágio neste período, pois não iria economizar se voltasse para minha cidade", comentou. Mas para ajustar o orçamento neste ano, ela teve que cortar despesas no mercado e com o lazer. "Não dá pra comprar tudo no mercado e nem para sair como antes", acrescentou.
PROCURANDO EMPREGO
Aluna do 3º ano de Fisioterapia da UEL, Cassiana Azevedo Cruz afirmou que já procura emprego para enfrentar o aumento das despesas e se manter em Londrina. A estudante de Maringá mora em um apartamento na região central para ficar mais próxima do Hospital Universitário (HU), onde as aulas e atividades do curso de graduação são realizadas. "Assim, é possível voltar para almoçar em casa, já que fica muito difícil fazer as refeições no RU, que atende os estudantes do campus", justificou. Mesmo assim, ela já cogita a possibilidade de mudar de residência ou dividir o apartamento com mais pessoas após os reajustes de preços neste ano. "O aluguel aumentou, o custo com o condomínio dobrou e a última conta de luz chegou aos R$ 150,00", desabafou.
COMÉRCIO
Os comerciantes com lojas próximas ao campus da UEL reclamam da queda do movimento durante o período de greve. Funcionário de uma padaria na Cidade Universitária, Marcelo Fabiano Soares afirmou que a maioria dos estudantes que moram na região é de fora de Londrina e volta para as cidades de origem quando as atividades são interrompidas na universidade. "Só os alunos que estão em estágios ou estudantes do último ano que continuam no bairro. O movimento caiu 90% após o reinício da greve", calculou.


