Curitiba - Aproximadamente 30% das mulheres em idade reprodutiva sofrem com o sagramento excessivo do útero na época da menstruação. Essa disfunção, denominada menorragia, além de trazer risco de desenvolver uma anemia, é também uma das causas de pedidos de licenças médicas constantes no trabalho.
Sua consequência mais drástica, no entanto, é o grande número de mulheres que se submetem desnecessariamente à histerectomia, cirurgia para a retirada do útero. Apesar da maioria dos casos de menorragia não apresentar causas malignas, hoje cerca de 50% das mulheres que recebem o diagnóstico de menorragia, se submetem à cirurgia de retirada do útero, como tratamento definitivo do problema.
A menorragia é um problema frequente, que tende a piorar com a idade, atingindo principalmente mulheres com idade entre 30 e 49 anos, no período pré-menopausa. ''Mas pode ocorrer em qualquer idade'', ressalta o professor Carlos Petta, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade de Campinas (Unicamp), lembrando que é cada vez mais frequente sua ocorrência em idade mais jovem.
O médico explica que a menorragia é caracterizada pelo aumento do fluxo sanguíneo durante a menstruação. ''Quando o sangramento acontece fora do período de menstruação pode indicar um problema endocrinológico ou até um câncer'', diz. No caso da menorragia, em geral trata-se de um desequilíbrio hormonal. ''É alguma disfunção, que aumenta a quantidade de sangue na menstruação sema presença de outros problemas de sa© úde'', diz. Apesar de serem minoria dentre as causas, tumores uterinos benignos (não cancerosos), miomas, pólipos, infecções ou doenças crônicas também podem causar menorragia.
O tratamento da menorragia na ausência de malignidade é normalmente feito com o uso de hormônios, por meio do uso de pílula anticoncepcional, aplicação de injeções anticoncepcionais ou, ainda, de injeções que simulam os efeitos da menopausa. Essas drogas reduzem o fluxo menstrual em 25 a até 80%. Entretanto, sua eficácia depende da continuação do uso da droga e habitualmente os sintomas retornam após interrupção do tratamento.
Deve-se considerar, ainda, que algumas pacientes apresentam contra-indicação para tratamentos hormonais, além dos efeitos colaterais dos medicamentos. Como exemplo, ele cita as injeções anticoncepcionais, cuja atuação é restrita a seis meses e, como efeito colateral, provocam a osteoporose. ''Pesquisa-se sempre novos métodos de terapêutica, que tenham uma duração maior, menos efeitos colaterais e evitem tantas cirurgias'', diz.

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