Agência Estado
De São Paulo
A trégua dos menores que tumultuaram o Complexo Tatuapé da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) durante o sábado e o domingo durou menos de quatro horas. Por volta das 22 horas de anteontem, os 400 adolescentes começaram um novo motim, que prosseguiu até as 4 horas de ontem. Houve mais fugas e destruição. Às 17h40 de ontem, houve novo princípio de confusão. A Tropa de Choque da Polícia Militar iniciou às 18h50 uma revista em mil menores. Foram encontrados alguns estiletes.
O resultado dos quase três dias de tensão é desanimador: cerca de 200 foragidos, 6 unidades parcialmente destruídas, 8 veículos queimados, a enfermaria revirada, 1 dormitório onde ficavam 120 infratores e 1 armazém incendiados. O presidente da Febem, Eduardo Domingues da Silva, garantiu, apesar da destruição e do forte clima de tensão no local, que não haverá transferências para outros complexos e a situação estava sob controle. Em dois dias, disse ele, serão restaurados os dormitórios e o problema de alojamento estará resolvido. Silva não soube precisar o montante do prejuízo. No local, há 17 unidades, onde estavam 1,5 mil menores.
Os pátios do complexo, tomados pelos adolescentes no fim de semana, amanheceram vazios ontem. Mas na porta da frente a movimentação era grande. Os funcionários dos departamentos burocráticos e professores dos cursos profissionalizantes, dispensados, saiam em filas, enquanto parentes aguardavam notícias. Ainda havia fumaça, por causa do incêndio no armazém. As primeiras informações oficiais foram passadas só às 11 horas, após a chegada da Pastoral do Menor, que faria longa vistoria para avaliar os danos físicos e morais sofridos pelos adolescentes.
Waldemir Pereira dos Santos, de 18 anos, que ficara preso 1 ano e 3 meses no local, havia deixado o complexo na semana passada, mas estava de fora, ansioso por notícias do irmão. ‘‘Sei como são os maus-tratos lá dentro; quando está calmo, eles estão apanhando muito’’, disse. Luzimira de Andrade e Pires, mãe de R., de 16 anos, gritava e pedia ao filho calma. ‘‘Sua mãe está aqui, meu menino, vai ficar tudo bem’’.
O primeiro motim, que teve a participação de 400 menores, começou no sábado, após um jogo de futebol. A Tropa de Choque interveio e, aparentemente, a confusão havia terminado. Mas no domingo, por volta das 22 horas, outro susto. Eles iniciaram novo motim e houve mais fugas. A situação só foi controlada às 4 horas. No total, segundo informações oficiais, 200 infratores fugiram e 80 foram capturados. Números do sindicato de servidores da Febem apontavam 450 fugas.
Apesar da tensão do vandalismo, o presidente da instituição disse que não foi uma ‘‘grande rebelião’’. ‘‘Nao houve reféns e os menores que tinham estiletes e facas foram desarmados após revista’’.
A calma voltou ao complexo às 18h50. Nesse horário, soldados da Tropa da Choque da Polícia Militar, após revistar mais de mil menores, começou a encaminhá-los para suas unidade de origem. Na revista, os policiais apreenderam alguns bisturis que os adolescentes haviam retirado da enfermaria e do posto médico. ‘‘Estamos indo embora, pois a direção da Febem nos garantiu que a situação nas unidades está sob controle’’, disse o major Antônio Carlos, do Choque, que comandou a operação.

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