Agência Estado
Dois menores que fugiram do Complexo Imigrantes da Febem, no domingo, sequestraram, no começo da noite de anteontem, o professor José Donizete Durand, de 42 anos. Queriam o Gol verde de Durand e a senha para sacar dinheiro do caixa eletrônico. Descobertos e perseguidos por militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), os menores decidiram matar o professor quando foram alcançados.
‘‘Os militares iam encher a gente de tiros, mas baleando o trouxa (professor), eles iam se preocupar em socorrer o cara e a gente se mandava’’, afirmou C.B.S., de 17, aos policiais. Quando o carro foi alcançado pelos PMs, C.B.S. apontou um revólver para a cabeça de Durand e deu o primeiro tiro. A bala não saiu. Deu o segundo tiro, mas o disparo também falhou. No distrito, o menor e seu cúmplice, E.F.L., de 16, lamentaram a prisão. ‘‘A munição é velha, deu picote, mas o cara que vendeu vai me pagar’’, ameaçou C.B.S.
Professor primário e trabalhando como consultor imobiliário, Durand seguia com seu carro para casa quando foi atacado pelos menores. Ao parar o Gol em um cruzamento, foi dominado pelos menores. ‘‘Mandaram ficar quieto, porque estavam dispostos a tudo, e disseram que acabariam comigo se tentasse fugir’’, contou Durand.
Os menores disseram na deçegacia que a fuga da Febem Imigrantes no domingo foi facilitada pelos funcionários. ‘‘Abriram a porta e foi uma corrida só’’, declarou C.B.S. Os dois não foram para a casa dos pais. Ficaram assaltando nos bairros de São Miguel e Itaim Paulista. E.F.L. explicou que a arma estava enterrada num terreno perto da Febem e eles queriam dinheiro para comer e acertar a compra de crack. ‘‘O dono da bocada (ponto) está cobrando uma compra antiga de crack e quem não paga morre.’’

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