Uma rebelião no Educandário São Francisco, que abriga 183 menores infratores em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), tumultuou o final da tarde de ontem e se alongou até à noite. O motim começou por volta das 15 horas, nos fundos da ala A, no pavimento superior, no momento em que os menores se preparavam para tomar banho.
Trinta adolescentes com idades entre 18 e 21 anos capturaram como reféns os educadores Júlio César Miranda Marcos, Alceu Fernandes Filho e Altair Tiena. No final da tarde, os três reféns redigiram um bilhete endereçado ao diretor do educandário, Vinícius Kirchner, no qual diziam que eram ‘‘pais de família’’ e pediam ‘‘compreensão e consideração’’ pela vida deles.
Dez dos 30 rebeldes queriam fugir, exigindo, para isso, um revólver e dois carros. Os demais amotinados exigiam melhores condições de vida no educandário, revisão de seus processos - muitos estariam expirados, segundo eles - e atendimento médico e odontológico permanente.
Cerca de 60 homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar, em dez viaturas, cercaram o edifício. Não houve registro de violência, embora os menores estivessem armados com estoques (barras de ferro pontiagudas) e facas. Pela manhã, teria havido um princípio de rebelião, com a tentativa de incendiar alguns colchões.
Às 18h20, o promotor Ivonei Sfoggia e um juiz cujo nome não foi divulgado, ambos da Vara da Infância e Juventude, entraram no presídio para negociar com os amotinados. Até o fechamento desta edição, as negociações ainda prosseguiam.
Segundo Sfoggia, as reivindicações sobre processos vencidos não procedem. ‘‘Não há nenhum menor com pena cumprida e em condições de sair’’, afirmou. Para ele, o problema no Educandário São Francisco é a superlotação: com capacidade para apenas 80 detentos, abriga 183. ‘‘Isso só seria corrigido com a construção de duas unidades correcionais, em Londrina e Foz do Iguaçu’’, acredita. (Colaborou Mariela de Castro Santos)

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