Menores são vítimas de água contaminada
Beatriz Coelho Silva
Agência Estado
Do Rio
A água contaminada por falta de tratamento foi a causa da morte de 342.732 crianças com menos de cinco anos no Brasil, entre 1979 e 1995, o que dá, em média, 21.420 óbitos por ano.
A informação é da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que pesquisou o período, através de informações das Secretarias Estaduais de Saúde. De acordo com o estudo, essas crianças tiveram cólera, febre tifóide, amebíase e infecções intestinais, que causaram as mortes.
Cerca de 40% dos óbitos aconteceram na região Nordeste, onde 142.621 crianças morreram entre 1979 e 1995. A região Sudeste ficou em segundo lugar, pois teve 119.975 óbitos infantis no mesmo período.
Em segundo lugar está a região Norte, com 35.651 mortes; seguida da região Sul, com 51.567, e Centro-Oeste, com 12.918. Os números devem ser maiores, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, pois nem sempre as mortes, especialmente de crianças, são comunicadas aos cartórios e às prefeituras.
A origem dos dados da Funasa são os cartórios de registro civil. São os cartórios que enviam os dados às Secretarias Municipais de Saúde. Estas os enviam às Secretarias Estaduais, que os repassam ao Sistema Único de Saúde (SUS) que, por sua vez, os faz chegar à Funasa.
No entanto, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de mortes estimadas (que aconteceram mas não foram comunicadas) é sempre superior ao de óbitos observados.
No Brasil, esta diferença chegou a 43,7% em 1996 e as regiões Nordeste e Norte lideram essa estatística. O IBGE calcula que, em 1996, 66,7% das mortes ocorridas no Nordeste não foram comunicadas e que, no Norte, esta porcentagem pode chegar a 52,2%. A região Sudeste tem o menor índice, com 6,5% dos óbitos não comunicados e, em seguida vêm as regiões Sul, com 13,5%, e Centro-Oeste, com 23,9%.
A Assessoria de Imprensa da Funasa não soube informar se as mortes foram causadas por ingestão ou contato com a água. A partir de 1996 a pesquisa foi interrompida. Em Brasília, a engenheira especializada em saneamento da Organização Mundial de Saúde (OMS), que se identificou apenas como Jacira, informou que a entidade, filiada à Organização das Nações Unidas (ONU), não se pronunciou sobre o assunto.





