O Bureau Internacional de Busca a Crianças Desaparecidas (Interbureau) está tentando obter o apoio do Ministério das Relações Exteriores para realizar investigações em presídios do Paraguai e identificar os menores brasileiros lá encarcerados. O detetive Walmir Battú disse ontem que há pistas da presença, em prisões paraguaias, de pelo menos dois garotos dados como desaparecidos no Paraná: Everton Ficagna, que sumiu de Corbélia em outubro de 1994, e Ivonei Quadros, desaparecido de Foz do Iguaçu no final do ano passado.
O envolvimento do Interbureau nas investigações no Paraguai deu-se a partir de um relatório da regional Sul do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, que recentemente esteve no país vizinho procurando Ivonei Quadros, de dez anos. O movimento recebeu de um irmão de Ivonei a denúncia de que o menor estava preso em Hernandarias.
Uma comissão formada por representantes do movimento, do consulado brasileiro e da Ordem dos Advogados do Brasil esteve no Paraguai em janeiro, à procura de Ivonei, mas não encontrou pistas dele. Segundo o secretário executivo da regional Sul do Movimento, pastor Romei Omar Klich, o menino trabalhava na Ponte da Amizade vendendo frutas e já teria contato anterior com um grupo de crianças que vive nas ruas no Paraguai.
‘‘Além do Interbureau, estamos mantendo contato com entidades da sociedade civil paraguaia, buscando apoio para uma investigação sobre as condições em que vivem as crianças presas no Paraguai’’, disse o pastor. De acordo com ele, atualmente existem cerca de cem menores brasileiros em presídios do Paraguai, onde a imputabilidade penal incide a partir dos 14 anos de idade.
A possibilidade de que Everton Ficagna esteja detido no Paraguai é investigada pelo detetive Walmir Battú há meses. Dois irmãos de Ficagna, que hoje está com 15 anos, têm terras no Paraguai e o detetive tem pistas de que o menor teria sido levado em garantia de dívidas contraídas por eles.
Agora, Battú quer a interferência da diplomacia brasileira para facilitar a obtenção de informações no país vizinho. Ele já enviou correspondência ao Itamarati e ao governo paraguaio, pedindo a identificação de todos os menores brasileiros lá detidos.

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