Menores pichadores são condenados a limpar igrejas
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quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 10 (AE) - O menor C.C.O., de 16 anos, foi condeado a limpar por seis meses pichações em igrejas espalhadas pela cidade do Rio. Ele e o amigo I., 15 anos, resolveram sujar a frente do prédio da 1ª Vara da Infância e Adolescência do Rio, no Centro, com spray no último dia 1º. Os garotos invadiram o local durante a noite e subiram até o terraço, no quarto andar, onde picharam toda a fachada de mármore. Entre as inscrições, a frase: "A revolta nos consome". "Eles também escreveram símbolos e deixaram seus apelidos", contou o juiz Siro Darlan, titular da 1ª Vara.
Para entrar no juizado, os dois garotos envenenaram o cão pastor alemão Estatuto, adestrado especialmente pela Polícia Militar para vigiar o prédio, a pedido do próprio juiz. Segundo Darlan, os meninos vinham preparando a ação havia dois meses. C.C.O, porém, acabou sendo preso no dia seguinte por policiais da Delegacia de Proteção à Infância e Adolescência (D.P.C.A). Seu amigo continua foragido.
A pichação ao prédio do Juizado de Menores estava sendo guardada em segredo pelo juiz Darlan. "Não queríamos fazer alarde, mas, já que vazou, não podemos guardar o segredo", contou. Para o juiz, a pichação não foi consequência de revolta dos menores "mas um ato de exibicionismo". Darlan afirmou que C.C.O explicou aos policiais que ele e seu amigo só estavam querendo "aparecer na galera deles".
Darlan fez hoje a defesa dos dois menores. "Eles são garotos que estudam", disse. O pichador preso mora em Cordovil, zona norte, e todos os dias atravessa a cidade para estudar em um colégio público no Leblon, na zona sul. "É um menino esforçado", ressaltou o juiz. Enquanto ao foragido I., ele sabe apenas que faz curso profissionalizante. "Estamos também no seu rastro", contou Darlan.


