São Paulo, 21 (AE) - O governador Mário Covas disse hoje que os menores envolvidos com drogas, os violentos e os perigosos serão separados dos demais internos da Febem e submetidos a tratamento. Segundo ele, é preciso tirar "esse tipo de menor ou adolescente" do convívio de garotos recolhidos como autores de crimes leves e "tratá-los".
Covas ficou impressionado com a violência de alguns internos, durante a rebelião de sábado no Complexo Tatuapé, em São Paulo. No telhado de uma das unidades, um grupo de menores e maiores de 18 anos espancou o monitor Fábio Amaral Graeber, que teve a camisa rasgada e durante 20 minutos recebeu golpes de telha na cabeça, de estilete nos braços e socos no estômago.
Os infratores ficaram irritados quando o monitor tentou escapar. Levado novamente para o telhado, ele voltou a ser espancado com mais violência. Os 17 acusados de chefiar a rebelião e participar do espancamento estão presos. Foram indiciados por tentativa de homicídio, formação de quadrilha e depredação do patrimônio público.
Penal - Os internos acima de 18 anos que a partir de agora chefiarem rebeliões e destruírem as unidades serão enquadrados pelo Código Penal. Covas informou ter visitado recentemente o Complexo do Tatuapé e constatou que as instalações são boas. "A quadra de esportes, o ginásio e as demais dependências são adequadas e não vejo motivo para essa revolta e destruição."
Agressões - A queixa dos internos de que estão sendo vítimas de espancamento por parte dos monitores - o que seria um dos motivos da rebelião - será, segundo Covas, apurada pela polícia. "No meu governo não se esconde nada, a orientação é para que o violento seja punido e o bom funcionário, elogiado; já afastamos muitos violentos."
Os defeitos da Febem, no entender do governador, estão sendo "consertados." Os vícios também. "A maneira de orientar e acompanhar os internos está sendo reformulada, pois queremos que a Febem recupere e não seja um depósito."
Novas unidades - Para o governador, a situação de superlotação poderá ser normalizada, em parte, com a inauguração
em poucos meses, de unidades para até 60 garotos. As primeiras devem funcionar em Campinas e São José do Rio Preto. "Prefeitos e comunidade eram contrários à construção, mas mudaram de opinião."A porcentagem de garotos do interior do Estado nas unidades da capital é grande. Para Covas, se fossem mandados para as cidades de origem, parte do problema estaria resolvido.
O governador explicou que os meninos jurados de morte pelos demais internos do complexto não podem permanecer no mesmo lugar. De acordo com ele, enquanto não houver locais adequados, os garotos violentos continuarão nos Cadeiões de Pinheiros e Santo André e no Centro de Observação Criminológica (COC), no Complexo do Carandiru.

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