Menores matam e queimam vítima
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sexta-feira, 07 de maio de 1999
Agência Estado 
A polícia civil de São José dos Campos investiga a identidade de um jovem que foi assassinado por três menores no final da noite de quarta-feira, na zona sul da cidade. A violência empregada pelo trio e a frieza no relato do crime assustou os investigadores. Eles espancaram e apedrejaram a vítima, quando ela agonizava efetuaram cinco disparos contra seu rosto. O corpo ainda foi ensopado com gasolina e incendiado na presença de vários moradores do lugar.
O motivo alegado pelos assassinos, com idades entre 14 e 16 anos, foi uma tentativa de estupro contra uma mulher do bairro conhecido como Campo dos Alemães. O rapaz morto, segundo a perícia, aparenta ter cerca de 20 anos e se encontra totalmente desfigurado aguardando reconhecimento no IML. A agressão teve início depois de um comentário da vítima com o trio de garotos, sobre uma investida contra uma mulher. O estupro não teria se consumado pela presença do trio.
A Delegacia de Investigações Gerais prendeu o bando na manhã de anteontem e eles confessaram o assassinato. Os menores J.B.S, de 14 anos, W.C.R, de 15 anos e E.J.S., de 16 anos, já têm passagens pela polícia por roubos e agressões. O mais velho do grupo contou que foi o responsável pelos tiros. Ele portava no momento um revólver calibre 32. Segundo o depoimento, eles praticaram o crime por odiarem estuprador.
O bairro Campo dos Alemães detém atualmente o maior coeficiente de homicídios do Estado, sendo 172,3 mortes por 100 mil habitantes. A região de Guaianases, mais violenta de São Paulo, registra 87,9 mortes por 100 mil habitantes.
O líder do grupo, E.J.S., de 16 anos, é conhecido pela ousadia de seus assaltos na zona sul da cidade. Acompanhado de outros garotos, invadia casas de arma em punho, agredia e trancafiava os moradores e roubava tudo que podia. Ele é viciado em crack e não estuda. Sua mãe, a dona de casa Doralice da Silva, disse para a polícia que seu filho não participou do assassinato e que ele estaria assumindo a culpa de outros.
Os assassinos juvenis residem no bairro. Eles são filhos de famílias de baixa renda e vivem em condições miseráveis. Os outros dois participantes são conhecidos no meio policial por pequenos roubos, agressões e furtos. Nenhum dos três, que confessaram o assassinato sem vacilar, diz estar arrependido do crime. Eles afirmaram que voltariam a cometê-lo se tivessem nova oportunidade. Arrogantes, ainda informaram os policiais que avisaram para as possíveis testemunhas que calassem a boca.
Os meninos prestaram depoimento rindo e contaram detalhes macabros do homicídio. Eles afirmam a todo instante que vão sair logo e voltarão para as ruas.


