Menores infratores queimados durante rebelião morrem em BH
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quinta-feira, 09 de março de 2000
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 10 (AE) - Dois menores infratores que cumpriam medidas educativas no Centro de Internação Provisória (Ceip), no bairro Horto, na zona leste de Belo Horizonte, morreram hoje no Pronto-Socorro da capital, vítimas de queimaduras. C.A.P., de 15 anos, e F.L.F., de 17, além do colega de cela W.J.T, de 14, iniciaram uma rebelião no centro, na tarde do dia 03, véspera de carnaval, colocando fogo com colchões e cobertores. Sofreram queimaduras de 3º grau em 40% de seus corpos. W., também atingido pelo fogo, continuava internado na UTI do hospital, hoje, em estado grave.
Segundo a secretária de Justiça de Minas, Angela Pace, que conversou com C.A. e F. pouco antes de morrerem, a rebelião teria sido motivada pela vontade de F. de ser transferido para a Delegacia de Orientação ao Menor (Deom) da capital. O rapaz, que respondia a oito processos por furto e roubo a mão armada, temia ser morto por um outro interno, com o qual tinha desavenças. Angela garantiu que os menores foram rapidamente socorridos, mas
mesmo assim, ficaram bastante feridos. "Tudo aconteceu em questão de segundos", disse.
Críticas - O juiz da Infância e Adolescência de Belo Horizonte, Tarcísio Martins, voltou hoje a criticar o governo estadual, que estaria transformando os centros de recuperação de menores em depósitos de crianças e adolescentes. Segundo Martins, o Ceip, palco de pelo menos uma grande rebelião, no ano passado, tem 83 internos, mas sua capacidade é para apenas 60.
Em resposta, a secretária informou que o Estado está construindo quatro novos centros: em Belo Horizonte, Juiz de Fora, Passos e Governador Valadares. Com as unidades do interior
menores de outras cidades deixariam de ser transferidos para a capital, reduzindo a superlotação.


