São Paulo, 01 (AE) - As primeiras horas do ano 2000 foram de tensão no Cadeião de Pinheiros. Cerca de 200 menores que ocupam há dois meses o presídio iniciaram uma rebelião por volta das 21 horas de sexta-feira. Segundo o secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Edson Ortega, os internos quebraram as camas e atearam fogo nos colchões.
Houve briga entre eles e contra funcionários. Dois menores ficaram feridos. Após a meia-noite, quando tudo parecia controlado, foi iniciada nova rebelião, controlada às 4h30. Alguns menores foram transferidos para outra ala do presídio.
"Não se deve chamar de rebelião, mas de uma manifestação dos garotos", disse Ortega. O secretário disse que não houve motivo conjuntural para a revolta. "Eles querem sair, não tem outra razão." Os internos não fizeram reféns, mas a tropa do Policiamento de Choque da Polícia Militar ficou do lado de fora do presídio, para a prevenção de fugas. A situação foi controlada pelos monitores e por policiais civis. Dois menores foram feridos na cabeça, supostamente pelos próprios colegas. Eles foram levados para o Pronto-Socorro da Lapa e liberados horas depois.
Os menores foram transferidos para o Cadeião após as rebeliões mais sangrentas da unidade Imigrantes da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), quando quatro internos foram assassinados. Ortega disse que os menores do Cadeião não são os que fizeram o levante na Imigrantes. "Esses foram remanejados para várias unidades, entre elas o Cadeião." Em novembro, dois promotores do Ministério Público Estadual consideraram o Cadeião melhor que o Complexo Imigrantes. Dias depois, o padre Júlio Lancelotti denunciou espancamento contra os menores. Na semana passada, o governo estadual derrubou liminar que obrigava a Febem a esvaziar o Cadeião, por ser um local inadequado para menores infratores.
Ortega promete a retirada, até o fim de janeiro, daqueles que não estejam à espera de decisão judicial.