Apesar da sensação de que a maioria dos crimes cometidos hoje tenha a participação de adolescentes, estatísticas mostram que dos 100% dos delitos mundiais, não mais de 10% são cometidos por menores de 18 anos. E de todos os delitos cometidos pelos menores, não mais de 10% são delitos considerados graves pelo Código Penal. As informações são de uma das maiores autoridades internacionais na área do direito da infância, o deputado federal argentino Emilio García Méndez, advogado e PhD em Direito pela Universidade de Saarland, na Alemanha. Méndez ministrou palestra ontem à noite na Jornada Municipal ''Responsabilidade Juvenil: aspectos sociológicos e penais'', que está sendo promovida pela Câmara Municipal de Londrina em parceria com universidades.
O deputado lembrou que da totalidade dos delitos graves de menores, 95% são cometidos por jovens na faixa dos 16, 17 anos. ''A grande maioria destes delitos são roubos, furtos e destruição do patrimônio público. Estou convencido de que a medida mais importante é fazer com que eles paguem com prestação de serviço à comunidade. Os investimentos nesta área funcionariam como uma poupança perante as políticas de privação de liberdade.''
Segundo Méndez, nos últimos anos a questão da insegurança urbana tem sido vista como o segundo pior problema, perdendo apenas para a questão do desemprego. Ele lembra que os meios de comunicação têm sido muito 'eficientes' ao fazer o vínculo automático entre a insegurança urbana e a violência juvenil, ou porque falta informação quantitativa confiável ou porque há um uso deficiente desta informação. No Brasil, segundo o advogado, há informação quantitativa confiável, mas nem sempre bem utilizada. O primeiro desafio, afirmou, é colocar o problema em sua justa dimensão, como temos hoje o problema do desemprego e da inflação.

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