Menores denunciam maus-tratos
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sábado, 24 de julho de 1999
Por Oswaldo Faustino 
São Paulo, 25 (AE) - A rebelião no complexo da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) do Tatuapé começou no sábado à noite. Após o início do motim, na Unidade 15, o quebra-quebra espalhou-se e os menores invadiram todas as áreas, destruindo o que encontravam, tentando fugir.
Os menos violentos permaneceram soltos no pátio e vários deles aproximaram-se da grade externa, na tentativa de conversar com curiosos e com jornalistas.
Uma movimentação muito intensa por parte da polícia aumentou a tensão geral. Alguns adolescentes foram apanhados na rua e levados à delegacia da área para averiguar se eram fugitivos.
A Tropa de Choque entrou no complexo pela primeira vez por volta das 3 horas e de novo às 13 horas. Pais e parentes buscavam, desesperados, informações do lado de fora.
Os internos, junto do portão principal e das grades, queixaram-se de apanhar muito dos monitores e de ser "impossível viver" naquelas unidades.
Fogo - Em entrevista à Rádio CBN, uma auxiliar de enfermagem, que se identificou como Mirtes, disse que seu carro foi quebrado no estacionamento. "Os internos atearam fogo ao carro de minha amiga." "Nós ouvimos muito barulho, quebra-quebra e pauladas"
afirmou. "Os funcionários não conseguiam conter a rebelião." Sem controle, os internos, segundo ela, passavam de uma unidade para outra.
A funcionária negou que os garotos sofram maus-tratos. "Nunca observei isso." Ela afirmou que não viu os rebelados com armas de fogo.
Além da Tropa de Choque que invadiu o complexo, havia muitos policiais de outros setores, como da Cavalaria e do Corpo de Bombeiros, cercando o local. Policiais do Choque só conseguiram controlar a situação da primeira vez às 6 horas.
O presidente do Sindicato dos Funcionários da Febem, Antônio Gilberto da Silva, queixou-se que a direção da instituição persegue os monitores. Ele disse que a situação administrativa está caótica.


