São Paulo, 20 (AE) - Os promotores de Justiça da Infância e Juventude disseram hoje que vários menores denunciaram que, durante a madrugada, as celas da Unidade de Referência Terapêutica (URT), conhecida como "masmorra" pelos menores da Febem Tatuapé, foram invadidas por monitores e seguranças, que teriam espancado os menores. No dia 12, um sábado, os internos de outra unidade da Febem, a do Centro de Observações Criminológicas (COC), no Complexo Carandiru (unidade provisória), foram espancados e humilhados. A denúncia foi comprovada, segundo o promotor Wilson Tafner, por 42 laudos com resultado "positivo" para as agressões.
O secretário da Assistência e Desenvolvimento Social, Edson Ortega, disse que determinou a apuração dos dois casos. Ele não soube explicar o motivo da demora no caso das agressões no COC, já que ele quer para hoje o resultado das denúncias sobre a rebelião de anteontem.
Até as 17 horas de hoje, cerca de 190 internos das unidades 4, 12, 13, 14 e Unidade de Referência Terapêutica (URT) haviam sido examinados pelos quatro médios-legistas do Instituto Médico Legal (IML), acompanhados dos promotores Ebenezér Salgado Soares
Wilson Tafner e Sueli Buzo Riviera, da Infância e da Adolescência. No total, foram examinados 231 internos. Os exames que começaram às 10h45 e foram concluídos às 18h30 mostraram que vários jovens apresentam hematomas nas costas e muitos estão com suspeitas de fraturas nos dedos das mãos. O único funcionário da Unidade que se submeteu ao exame apresentou escoreações pelo corpo.
Tafner informou que os menores mais feridos se encontravam na URT, onde estavam internados os infratores mais violentos. "Alguns menores denunciaram que durante a madrugada as celas foram invadidas por monitores e segurança, que passaram a agredir os internos", disse Tafner. Também havia vários menores feridos nas UE-13.
Do lado de fora da Unidade Tatuapé, os familiares aguardavam mais informações sobre seus filhos. A presidente da Associação de Mães da Febem, Conceição Paganelle, também permaneceu todo o dia em frente à Unidade Tatuapé, tentando acalmar os pais dos internos. Os participantes da associação já convocaram a Comissão de Direitos Humanos para exigir que tome medidas emergênciais. "A situação só se agrava e ninguém faz nada," disse a presidente. "Não vejo nenhum comprometimento do governo e nem dos diretores da Febem." Para ela a Febem é uma instituição falida e que só ajuda a transformar o menor infrator primário em um marginal em potencial."

mockup