Menores da Febem Imigrantes começam a ser removidos
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quinta-feira, 28 de outubro de 1999
Por Natalie Antar 
São Paulo, 29 (AE) - Durante todo o dia de hoje houve uma grande movimentação na porta do Complexo Imigrantes da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), por causa da decisão do governador Mário Covas (PSDB) de transferir todos os menores do local até domingo. Até as 20 horas de hoje, 684 internos haviam sido removidos. Eles foram para o Cadeião de Pinheiros, na zona oeste, a Penitenciária Feminina do Tatuapé, na zona leste, e para outras unidades da fundação. De acordo com a assessoria de Imprensa do governador, as transferências continuariam durante a noite.
Hoje, o primeiro grupo, de 111 menores, deixou o complexo às 10h45, em dois ônibus. A Polícia Militar acompanhou atentamente toda a operação. Do lado de fora dos portões, dezenas de mães esperavam aflitas a passagem dos veículos na esperança de ver, por instantes, seus filhos pela janela do ônibus. "Estou aqui para ter notícias do meu filho, mas até agora não consegui nada", disse a dona de casa Maria das Graças Araújo, de 48 anos. "Estou desesperada, pois ninguém acha o meu filho e eu quero uma satisfação". Os outros ônibus com menores saíram só as 17 horas. Durante todo o dia duas assistentes sociais estavam na porta da instituição com uma lista que informava se o menor estava ou não no local. Mas era tudo muito confuso, pois a cada ônibus que saía as mães perguntavam para onde seriam levados os garotos e ninguém sabia informar. Comissão - Dois pais de adolescentes infratores passaram a noite no local acompanhando os trabalhos dos monitores e da polícia. Logo de manhã, houve uma reunião na porta do complexo com os outros pais. "Todos podem ficar calmos, pois aparentemente e dentro das condições de segurança e higiene do local está tudo bem", disse Joaquim Viana filho, de 55 anos, cujo filho está na Febem há duas semanas. "Vamos dormir com eles até que sejam transferidos, pois queremos garantia de que estão bem".
De acordo com ele, cerca de 10 % dos garotos estão feridos. "As condições são precárias, pois não há colchões e os garotos são obrigados a dormir um em cima do outro", completou. A dona de casa Agna Regina, de 41 anos, estava desesperada. Ela foi ao Hospital Municipal do Jabaquara e descobriu que seu filho foi levado para lá com vários hematomas pelo corpo, principalmente no rosto. "Isso foi no começo da semana e agora quero ver meu filho para saber se ele está bem", disse.
Segundo ele, seu filho E.S.B., de 17 anos, está preso há 53 dias por roubo de carro. "Meu filho apanhou porque trabalhava e era educado com os monitores", relatou. "Aqui é assim, quem é comportado sofre e leva surra dos outros garotos". A doméstica Ana Maria de Souza, de 38 anos, era outra mãe aflita. O nome do seu filho de 17 anos, preso por roubo, estava na lista como integrante do complexo, mas nenhuma assistente social conseguiu localizá-lo. "Quero saber onde está o meu filho e isso alguém vai ter de dizer". Prisão - Um fugitivo do Complexo Tatuapé foi preso hoje à tarde em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, numa residência onde havia armas e drogas. Ele estava com dois rapazes - um deles com passagem pela Febem -, e duas moças, na casa da Rua José Dias dos Santos, 207, no Jardim Ouro Preto. Por volta das 16h30, policiais militares foram até a residência com um mandado judicial para apurar denúncias de tráfico de drogas e tiros em via pública. Moradores da rua denunciaram o movimento "estranho" no local. Quando chegaram, os policiais encontraram uma espingarda calibre 12, um revólver calibre 38, munição para as armas, 41 papelotes de cocaína, 3 gramas de maconha e uma pedra de crack.


