Foto Albari RosaLuiz Carlos Camargo (esquerda), reclama da superlotação
e condições de trabalho do educandárioFuga em massa ontem de manhã, por volta das 9h30, no Educandário São Francisco, no município de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba (PR), espalhou pânico na região. Trinta e três menores, de uma ala onde viviam 69, fugiram após render quatro funcionários, com dois revólveres calibre 38 que os guardas não sabem como entraram no reformatório. Os detentos ameaçaram os educadores, mas ninguém reagiu nem foi ferido. Essa foi a segunda fuga neste ano, a primeira aconteceu em janeiro com 22 menores, todos recapturados.
Comandados por dois detentos considerados perigosos pela polícia da Capital, ambos acusados de sequestro e assalto, dez menores fugiram em dois carros roubados, um Santana Quantum de um funcionário do reformatório e um Peugeot de uma professora. Os outros 23 escaparam a pé. Até às 13 horas, nenhum havia sido recapturado. Cerca de 80 homens da 17º Batalhão da Polícia Militar, do Batalhão de Choque e do Batalhão de Polícia de Trânsito trabalhavam na recaptura.
Após deixarem o Educandário, cinco menores abandonaram o Peugeot e roubaram um Kadet. Conforme o educador Luiz Carlos Camargo, 34 anos, nesse momento eles já portavam armas de grosso calibre. Irritados com a fuga, os funcionários do reformatório reclamaram das condições de trabalho. O Educandário abriga 205 menores, embora tenha capacidade para 140. Para cuidar de todos, trabalham por turno 20 funcionários. Camargo disse que dois dos 180 educadores do reformatório estão afastados do serviço porque foram feridos em uma rebelião ocorrida há uma semana. Foi a sétima rebelião em apenas um ano e meio.
‘‘O trabalho é terrível. Os garotos estão mandando aqui dentro, nós não mandamos mais’’, reclamou Camargo, ex-chefe de segurança que trabalha no reformatório há 11 anos. Ele afirmou ter sido rebaixado a educador porque os menores reclamaram que Camargo tinha hábitos severos na repressão à bagunça. O educador disse que se sente um prisioneiro por causa das ameaças e tentativas de morte que já recebeu. ‘‘Não posso ir para Curitiba, por exemplo, porque as gangues que passaram por aqui querem me matar’’, contou. O presidente do Instituto de Ação Social do Paraná, Aloisio Pacheco, disse que há encaminhamento para desinternação de 25 adolescentes, o que diminuiria o problema.

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