Chico de Gois
Agência Folha
De São Paulo
Uma rebelião na Penitenciária de Santo André, onde estão 262 internos da Febem, durou 17 horas, deixou um morto e sete feridos, um deles em estado grave. Desde outubro, cinco menores foram mortos dentro de unidades da Febem na Grande São Paulo. O motim começou por volta de 17 horas de domingo. De acordo com namoradas e parentes de internos, que estavam visitando os menores, a confusão teve início na ala Zumbi e se espalhou depois pelas demais.
O cadeião tem quatro alas – Zumbi, Xingu, Ômega e Águia de Haia. No momento da rebelião, havia quatro namoradas e uma mãe de interno fazendo visita. Elas afirmaram que ficaram espontaneamente dentro da unidade. ‘‘Os meninos tinham medo de que a tropa de choque entrasse e, por isso, resolvemos ficar’’, afirmou T.H., 17, namorada de E.H., da mesma idade.
A Polícia Militar foi acionada e, por volta de 17h30, cercou o complexo, mas não entrou. Funcionários da Febem tentaram negociar o fim da rebelião, mas não conseguiram. Às 2h30 de ontem, as conversações foram suspensas. O Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente de Santo André, ao saber da rebelião, foi ao complexo tentar obter notícias dos internos, mas os conselheiros foram impedidos de entrar.
O secretário da Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Edsom Ortega, disse que não autorizou a entrada dos conselheiros ‘‘porque o local era inseguro e colocaria a vida deles em risco’’. Por volta de 8h30 de ontem, a Tropa de Choque chegou ao complexo e invadiu o local às 9h10. De acordo com o comandante do 3º Batalhão da Tropa de Choque, tenente-coronel Paes de Lira, quando a polícia entrou já havia um morto (ainda não identificado).
O Corpo de Bombeiros também foi acionado para apagar o fogo que os menores haviam ateado em colchões. A rebelião só foi controlada às 10 horas. O adolescente morto, segundo um policial, levou mais de 30 estiletadas. Seis feridos foram encaminhados para o Hospital Municipal de Santo André. C.J.P., 15, que teve traumatismo craniano, foi levado ao Hospital Heliópolis e corre risco de morte.
O secretário Edsom Ortega afirmou que o motivo da rebelião foi um conjunto de fatores. Na sexta-feira, véspera de Natal, duas mães de internos foram flagradas portando maconha, que seria destinada aos menores. Uma delas foi autuada por porte ilegal de entorpecentes. Outro fator que contribuiu para a rebelião é o clima de final de ano. As mães também apontaram os maus-tratos e falta de atividades como ingredientes que contribuíram para acirrar os ânimos.
No dia 5 deste mês, o complexo de Santo André já havia passado por um princípio de rebelião porque os internos queriam encontrar suas namoradas, mas a visita só foi permitida aos parentes. O Ministério Público havia concluído, há 15 dias, que 19 internos daquela unidade foram agredidos por monitores no mês passado.
No dia 21 deste mês, a Justiça mandou desocupar o cadeião de Santo André em até 30 dias. A argumentação era que o local é impróprio para receber menores. Até agora, porém, a Febem não cumpriu a ordem. Ortega disse hoje que ‘‘a liminar só pode ser cumprida se houver instalações seguras e adequadas para transferir os internos’’.Internos transferidos da Febem se rebelam na Penitenciária de Santo André (SP), matam um colega e deixam sete feridos
Agência EstadoTRAGÉDIA ANUNCIADAPoliciais da Tropa de Choque da Polícia Militar conduzem dois menores após a rebelião que durou 17 horas

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