Menor leva para a escola duas armas para "mostrar" aos colegas
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domingo, 02 de maio de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 03 (AE) - O menino I.G.C., de 12 anos, levou hoje para a sala de aula duas armas na mochila, uma pistola calibre 6,35 milímetros e um revólver calibre 38. Ele foi surpreendido pela direção da Escola Estadual Rudge Ramos, no bairro homônimo, em São Bernardo do Campo, na gRande São Paulo. I.G.C., que cursa a 6.ª série do primeiro grau, disse que só queria mostrar as armas aos colegas.
O menino saiu de casa, no Jardim Hollywood, por volta das 7 horas para ir à escola. Na sala de aula, teria aberto a mochila e retirado as armas, exibindo-as para os amigos. Durante o recreio, deixou o revólver e a pistola na mochila e foi para o pátio brincar. Nesse momento, alguns alunos procuraram a direção da escola e contaram o que haviam visto.
Quando retornou do intervalo, I.G.C. não encontrou a mochila na carteira. Então, perguntou para a professora onde estava sua bolsa e ela respondeu-lhe que ele devia apanhá-la na diretoria da escola. Quando chegou na sala, I.G.C. foi recebido por Dina Taets Gustavo da Silva, de 42 anos, diretora da escola, que já estava com as armas na mesa. Dina também já havia chamado a ronda escolar da Polícia Militar e os pais do aluno.
Um policial militar foi ao colégio, apanhou as armas e levou o adolescente ao 2.º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. Lá, a polícia constatou que uma das armas, o revólver calibre 38, estava com seu número de série raspado. Esse número serve para identificar o proprietário da arma. Ele é raspado, geralmente, após a arma ser roubada, para que a vítima não seja identificada.
A mãe do menino, a cabeleireira Sílvia Regina Gonçalves Gandia Consul, de 38 anos, disse não saber como o revólver foi parar em casa. Afirmou que quem, talvez, pudesse explicar isso era seu marido, o caminhoneiro Antonio Donizete Consul, de 47, que está viajando. No boletim de ocorrência, o motorista consta como "averiguado". O revólver estava descarregado, mas a outra arma, a pistola semi-automática, estava com sete balas no pente, uma delas na agulha, em posição de disparo.
A mãe do menino afirmou à polícia que adquiriu a pistola em 30 de maio de 1985. Ela entregou aos policiais o registrou da arma, que está em seu nome. A cabeleireira disse ainda que mantinha a pistola guardada em um lugar fora do alcance do menino - em seu quarto, em cima de um armário - sem que seu filho soubesse. Sílvia não quis dar entrevistas na delegacia. As duas armas e a munição foram apreendias pelo 2.º DP. Inquérito - A delegacia deverá instaurar inquérito policial para apurar uma possível infração da lei de porte e de registro de arma. Os policiais querem saber quem é o proprietário do revólver. Segundo a polícia, a cabeleireira tentou encontrar o marido, deixando-lhe uma mensagem no bip, mas o motorista não respondeu ao chamado da mulher. Além dos pais do menino, a diretora da escola deverá ser chamada pela polícia para depor. Recentemente, I.G.C. foi vítima de um roubo.


