A gravidez da menina C.B.S., 10 anos, foi interrompida na manhã de sábado no Hospital Jabaquara, na zona sudoeste de São Paulo. O procedimento médico que provocou o aborto foi iniciado às 9h30 e terminou cerca de uma hora depois. A informação foi confirmada pela diretoria do hospital apenas às 13h55 de anteontem.
Segundo boletim assinado pela médica Maria Luiza Riguetti, C.B.S. ‘‘encontra-se em boas condições clínicas. C.B.S. sofreu abuso sexual e foi estuprada várias vezes ao longo de três anos em sua cidade, Israelândia (GO), por vizinhos. Descobriu a gravidez na 11ª semana, mas por conta de pressões e interpretações jurídicas, a garota só pôde abortar anteontem.
O aborto era considerado de risco. Segundo a médica, que é Coordenadora do Programa de Abortamento Legal do módulo 12 do PAS (Plano de Atendimento à Saúde), é preferível que esse tipo de procedimento ocorra até a 12ª semana de gestação. ‘‘A Justiça precisa ter mais agilidade para avaliar casos desse tipo’’, afirmou a médica.
A coordenadora do programa, que acompanhou o procedimento médico junto com os pais da garota em uma sala ao lado, não divulgou os nomes dos médicos que fizeram o aborto. O método utilizado também não foi divulgado. A alta é prevista para amanhã.
Após acordar - a garota havia recebido anestesia geral - C.B.S. pediu pela mãe. Durante todo o sábado, representantes de associações contra aborto estiveram no hospital para tentar demover a família. Desde quando a gravidez foi descoberta, os pais da garota desejavam o aborto.

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