São Paulo, 27 (AE) - Um menor morto e pelo menos sete feridos foi o resultado da rebelião de hoje na Unidade Prisional 7 de Santo André. Conhecido como cadeião, o local abriga há cerca de um mês 264 internos da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem).
Segundo a entidade, o adolescente, cujo nome não foi divulgado, foi morto por volta das 9 horas de hoje por três companheiros, com 32 estiletadas e pauladas na cabeça. Um outro menor, K.J.P., foi levado, com suspeita de traumatismo craniano, ao Hospital Heliópolis. Os demais sofreram escoriações, por causa de pancadas, cortes e ferimentos provocados por tiros com balas de borracha.
A tensão no local começou ontem (26), por volta das 17 horas, durante a visita das namoradas dos internos. Os motivos da rebelião são controversos. Mães de internos acusam a Febem de não ter cumprido um acordo informal sobre o Natal dos adolescentes. O governo informa que alguns menores incitaram os demais a iniciar o tumulto. Representantes de entidades que defendem os direitos das crianças e adolescentes relacionam o levante à falta de atividades educativas e às más condições do cadeião.
O secretário de Desenvolvimento e Assistência Social, Edsom Ortega, diz que fez o que pôde para evitar a rebelião. "Negociamos até as 2h30, sem sucesso", afirmou. "É uma pena ter ocorrido morte, mas todo Natal e ano-novo há um desejo suplementar de sair." Para ele, contribuiu para aumentar o nervosismo no cadeião o fato de duas mães terem sido presas em flagrante no sábado: uma delas levava 4 gramas de maconha.
Durante a madrugada de hoje, a Polícia Militar foi chamada, mas permaneceu do lado de fora do cadeião. Conselheiros tutelares de Santo André também estiveram no local, mas não entraram. Às 8h30, chegaram cem homens da Tropa de Choque, com 20 cães e logo depois entraram no presídio.
Barricadas - Segundo o tenente-coronel Jairo Lira, a rebelião acabou por volta das 9h30. "Tivemos dificuldade de contornar a situação, porque os infratores tinham armado barricadas na frente dos portões e ateado fogo a colchões e roupas."Ele afirma que três menores, jurados de morte, chegaram a auxiliar a polícia. "Quando perceberam que também seriam mortos, eles nos ajudaram", afirma. "Usando balas de borracha, conseguimos até salvar um jovem, que já estava amarrado nas grades para ser morto."
O secretário revelou que alguns menores devem ser transferidos. Entre eles estão três internos acusados de participar do assassinato e outros oito, maiores de 18 anos, que serão levados para o Centro de Observação Criminológica da Casa de Detenção.

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